Capítulo 3
Marquei um voo para dali a cinco dias e enviei uma mensagem ao advogado, insistindo que eu precisava obter a guarda da criança.

Depois de resolver tudo, me levantei e fui em direção ao quarto, pronta para dormir em paz.

Adriel, com os olhos fixos em minhas costas, gritou, irritado:

— Estou falando com você! Para onde acha que vai?

— Vou descansar. — Pisquei para ele calmamente.

Assim que entrei no quarto, ouvi o som de algo se quebrando na sala.

O processo de divórcio avançava conforme o previsto.

Três dias depois, enquanto eu arrumava minha mala, recebi de repente uma ligação de Adriel.

— Bar da Esquina. É urgente. Venha agora.

O vento na praia estava forte, e eu ainda me encontrava no período de resguardo. Não era apropriado sair. Estava prestes a recusar, mas Adriel me ligou novamente, insistentemente, sem me dar descanso.

Quando cheguei ao Bar da Esquina, completamente coberta dos pés à cabeça, vi Berenice e Adriel sentados próximos um do outro, demonstrando intimidade.

Os amigos sem-vergonha de Adriel me olharam de cima a baixo e exclamaram:

— Então é verdade que a cunhada não mentiu! A amante do Adriel é realmente uma gorda horrorosa!

Berenice tomou um gole de vinho tinto e me encarou com um sorriso no rosto:

— Desculpe, acabei de perder um jogo de verdade ou desafio. Eles me deram duas opções: ou eu beijava o vocalista da banda ou chamava a amante do Adriel. O Adriel não me deixou beijar outro homem, então mandou chamar você. Agora, pode ir embora.

Embora parecesse estar se desculpando, seu tom transbordava satisfação maliciosa.

Franzi o cenho e olhei para Adriel.

Ele abaixou a cabeça, parecendo culpado, e permaneceu em silêncio.

Era assim que eu era vista por eles: a amante desprezível.

Ri de raiva e estava prestes a dizer algo.

Berenice ergueu o queixo com arrogância, exibindo uma corrente de ouro pesada, como se quisesse se gabar.

Dei alguns passos à frente, segurei a corrente e a puxei com força até quebrá-la.

— Sua gorda! O que você pensa que está fazendo? — Berenice gritou, furiosa, tentando recuperar o colar.

Coloquei o colar na bolsa e, com uma expressão sombria, respondi:

— Isso foi comprado com o patrimônio comum do meu casamento com Adriel. Se eu quiser pegar, eu pego.

Eu já tinha consultado meu advogado, que confirmou que eu poderia reivindicar aquelas joias de ouro, que valiam milhões.

O rosto de Berenice ficou gelado de repente, e ela ameaçou com malícia:

— Roubar meus bens pessoais em público? Eu posso te colocar na cadeia.

— Quer que eu chame a polícia para você? — Respondi sem demonstrar um pingo de medo.

Adriel, percebendo que eu falava sério, arrancou meu celular da mão e franziu o cenho:

— Chega, para com isso. Vá para casa agora.

Olhei para a preocupação estampada no rosto dele, e meu coração afundou pouco a pouco.

Os amigos de Adriel perceberam que havia algo estranho e começaram a cochichar sobre quem era a amante, eu ou Berenice.

Com os olhos marejados, Berenice olhou para Adriel, parecendo vulnerável:

— Você mesmo disse, Adriel: quem não é amado é a amante. Diga para todo mundo que a vadia aqui, Maristela, é que é a amante!

Adriel limpou as lágrimas de Berenice com cuidado, depois se virou para mim e me repreendeu friamente:

— Chega, Maristela! Toda vez que você aparece, é só confusão! — Ele segurou a mão de Berenice e olhou para os curiosos ao redor. — Parem de adivinhar. Berenice é minha esposa. Eu a amo muito.

A multidão começou a provocar:

— Adriel, dá um beijo na sua mulher!

Sem hesitar, Adriel segurou o rosto de Berenice e a beijou com carinho.

O rosto de Berenice ficou corado, mas ela se virou para mim com um sorriso desafiador:

— Viu? Não importa que vocês sejam casados. O Adriel, o dinheiro do Adriel, o amor do Adriel... vou tirar tudo de você.

Não aguentei e dei um tapa na cara de Berenice.

Berenice segurou o rosto, olhando para Adriel com um ar de injustiçada:

— Querido, ela me bateu.

O rosto de Adriel ficou sombrio. Ele levantou o pé e me chutou com força no estômago!

A cicatriz da cesariana se abriu instantaneamente, e eu caí no chão com força.

Adriel se abaixou, agarrou meu queixo e disse ameaçadoramente:

— Se levante e peça desculpas à Berenice!

Com os olhos vermelhos, mordi o lábio com força e respondi:

— Ela não merece.

Adriel me deu mais um chute no estômago e gritou enquanto chutava:

— Acha que pode me desobedecer, não é? Eu disse para ir para casa, mas você não foi! E ainda causou uma cena aqui! Hoje você vai aprender!

Chute após chute, o corte horizontal no meu estômago se abriu completamente, e o sangue começou a encharcar minhas roupas.

Contorcida de dor, me encolhi no chão, pálida e tremendo.

Com minha última gota de força, levantei a cabeça e disse:

— Adriel, vamos nos divorciar!

Os olhos negros de Adriel mostraram um momento de surpresa, e seus lábios se moveram levemente.

Não ouvi o que ele disse e caí em completa inconsciência.
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