PaulahOs dias passaram bem rápido, e eu me vi cada vez mais envolvida na rotina do trabalho e da vida a dois com Benício.Elisa, felizmente, não havia mais atentado contra a vida. Soube que ela estava fazendo terapia com um psicólogo que Benício solicitou e saber disso trouxe uma certa tranquilidade, mas com ela é sempre bom manter a vigilância.Benício e eu estávamos cada dia mais felizes. Nosso amor cresce com uma intensidade que eu nunca havia experimentado antes. Ele me faz sentir segura, desejada e, acima de tudo, amada. Nossos momentos juntos são sempre perfeitos... Tenho medo disso. Lui e Clara também estavam cada vez mais próximos, e é impossível não notar como as coisas mudaram e Sara nunca mais se queixou sobre o relacionamento dos pais.No trabalho, Clara e eu seguimos fotografando as joias e pedras preciosas para a exposição que se aproximava. É fascinante ver como cada detalhe ganhava vida através das lentes. Clara me ajuda nas composições das imagens e ideias, e eu ad
Benício MendelerrPaulah ficou mais séria após o brinde, mas me aproximei e tentei fazê-la curtir a festa.— Vamos dançar um pouco? — Convido e ela corresponde com um sorriso, partimos para a pista.Toque suave do cetim de suas luvas e do vestido me deixava ainda mais excitado, nossos olhares se mantêm cativos um do outro.Enquanto girávamos pela pista, uma coisa me fez olhar para cima. Olhei rapidamente para o enorme lustre que pendia sobre nós. Ele balançava levemente, algo que ninguém parecia notar...Um estalo alto ecoou pelo salão e o lustre se desprendeu de repente. Meu coração disparou e sem pensar duas vezes, puxei Paulah com força, girando nossos corpos para longe dali.O impacto foi ensurdecedor e o lustre atingiu o chão com um estrondo, espalhando cacos de cristal por toda parte. O salão inteiro ficou em silêncio por um momento, seguido por gritos de susto e correria. Segurei Paulah firme contra mim, sentindo sua respiração acelerada contra o meu peito.— Você está bem? —
PaulahAcabei despertando bem mais tarde do que o habitual e Benício não estava ao meu lado. Tomei um banho e saí, mas o encontrei no corredor, ele parecia ansioso.— Iremos ao hospital agora, precisamos saber se está mesmo grávida!A frase dele me fez esfriar a barriga, sinto o peso das palavras dele... Como se essa fosse a minha maior missão como esposa, senti vontade de recusar a ida.Talvez seja uma premonição...— Pegarei minha bolsa e, de lá, podemos ir direto para a sede.Ele concordou, peguei a bolsa e seguimos para o único hospital da cidade. Benício falou com o médico e retirou meu sangue para a análise.— Em alguns minutos traremos o resultado, senhor! O tempo era o que menos me incomodava, mas perceber a expressão de Benício e como isso parecia ser o mais importante para ele. De repente, um amigo o chamou para conversar sobre negócios e o médico chegou com o resultado.— Pode me entregar, não estou grávida... É isso?Ele assentiu, uma dor forte atingiu meu coração. Ela nã
Benício MendelerrAmanhece finalmente domingo e Paulah dormia tranquilamente ao meu lado, claro, a noite anterior havia sido intensa, transamos até altas horas da madrugada. Adoro olhar para ela, com os cabelos espalhados pelo travesseiro e um sorriso discreto se formando nos lábios, beijo sua boca e ela abre finalmente os olhos por completo.— Bom dia, meu amor — murmurei, inclinando-me para beijar sua boca novamente.Piscando contra a luz, ela me olhou de volta.— Bom dia, amor — respondeu com a voz ainda rouca de sono. — Já é tão tarde assim?— Não se preocupe com a hora. Hoje é domingo e não quero fazer nada além de ficar em casa curtindo sua companhia!Ela suspirou aliviada, depois de um café da manhã completo, decidimos dar uma volta pelo parque. Paulah segurava minha mão enquanto caminhávamos.— Eu adorava fotografar por aqui!— Essa rua é lindíssima, meus pais sempre diziam que elas eram a essência da arquitetura da cidade!— Eles estavam certos...Havia crianças brincando e
PaulahManhã de terça-feira acordei com um pouco de cólica menstrual, mas ela o sangue não desce... Não deixarei que isso abale meu dia. Ele já havia se levantado da cama, tomei um banho e desci para a sala de jantar, dei uma olhada em nosso lindo quadro pendurado.Benício já estava ali à mesa, revisando alguns documentos enquanto tomava um café forte. Eu o olhei em silêncio, apenas admirando o homem delicioso que tenho em casa e assim que ele percebeu que eu estava acordada, veio até mim e me deu um beijo demorado.— Precisamos sair cedo hoje, amor, tome seu café. Há muita coisa para resolver na sede — ele disse, com um sorriso que sempre conseguia me acalmar.Concordo com ele, tomo meu café da manhã e oculto a cólica chata que estou sentindo... Benício certamente me mandaria ficar em casa de repouso e eu não quero mais faltar ao trabalho. Busco um remédio e coloco na bolsa, antes de sair retoco meu batom.Em pouco tempo, estávamos no carro. O dia estava claro, mas o trânsito parecia
Benício MendelerrChegamos à sede, Paulah estava calada. Sei que a presença de minha tia traz de volta lembranças ruins e bem recentes. Eu já estava sentado na minha cadeira de couro na sala e esperando a chegada dela, ainda com a mente ocupada pelos últimos acontecimentos. A virada do ano tinha sido um caos, e as peças do quebra-cabeça ainda estavam se encaixando. Paulah estava ao meu lado, mexendo no celular, enquanto Clara observava pela janela, todos nós esperando por Aurora. Foi então que a porta se abriu e ela entrou.A primeira coisa que notei foi a aparência dela. O brilho que costumava carregar nos olhos parece ter desaparecido, substituído por uma expressão de cansaço profundo. Ela parecia menor, mais frágil do que sempre demonstrou ser.— Tia Aurora? — Minha voz saiu mais dura do que eu pretendia. — Entre!Ela olhou para mim, depois para Paulah, e respirou fundo antes de falar:— Preciso de ajuda. — Sua voz estava baixa, quase um sussurro. — Descobri que tenho câncer e é t
PaulahA manhã começou com Benício me chamando e despertando com beijos bem cedo. Ao me voltar para ele, percebi um pouco mais sério, com um ar de urgência que imediatamente me deixou alerta e acaricio seu peito.— Bom ia princesa! Eu preciso que você cuide da cidade e de tudo para mim — ele começou a falar, seus olhos fixos nos meus. — Lui e eu precisamos viajar assim urgente e é uma missão delicada, mas vital para mantermos a nossa estrutura financeira intacta.— Missão? — perguntei, tentando esconder a preocupação que já começava a me dominar. — O que está acontecendo, Benício ainda sobre Mariaga?Me estresso ao pensar que mesmo morto, esse velho ainda nos assombra constantemente.Ele suspirou e passou a mão pelos cabelos, um gesto que fazia sempre que estava prestes a dizer algo importante.— Não tem a ver com ele, alguns dos nossos homens foram pegos pela justiça. São peças-chave, Paulah e se não os trouxermos de volta, tudo o que construímos estará em risco. Assim que resolvermo
Benício MendelerrChegamos finalmente e a noite estava abafada. O calor de Cuba parecia deixar o clima da missão ainda mais sufocante. Meu coração estava pesado desde que deixei Paulah. Ela pensa que Lui e eu estávamos indo para outro tipo de missão, algo menos perigoso. Não tive coragem de contar a verdade. Vê-la com aquele olhar de preocupação, sem saber o que realmente estava em jogo, partiu algo dentro de mim. Mas eu precisava protegê-la e a nossa cidade, mesmo que isso significasse carregar esse peso praticamente sozinho.Lui, eu e nossos subordinados nos posicionamos em um beco estreito, esperando o momento certo. Comprar um de seus funcionários mais leais foi difícil, mas sequestramos alguém importante para ele... E foi o bastante para nos dar todas as informações de que precisávamos para chegar até ele. O filho de Mariaga, Tony, esse verme que jurou destruir tudo que construímos, estava a poucos metros de cair na armadilha que havíamos preparado. Lui ajeitou o silenciador e