Capítulo 2
As garotas rebeldes olhavam para Jandira com inveja.

Inspirei profundamente e disse a mim mesma que aquele era o irmão mais novo de Zéfero. Pelo bem de Zéfero, eu precisava lhe dar um pouco de consideração.

Reprimi minha raiva com dificuldade e, com um sorriso que não chegava aos olhos, disse a Evaristo:

— Sua namorada entendeu errado a nossa relação. Por favor, explique isso para ela.

Jandira bufou friamente:

— Quem aqui entendeu errado? Da última vez, vi você saindo da casa da família Santos no meio da noite. Hoje, há um exame de gravidez sobre a mesa. Se você não está usando essa gravidez para dar um golpe, então o que está fazendo? Estou avisando que meu namorado é Evaristo, e ele só me ama.

Sorri friamente:

— A família Santos não tem só um filho.

Jandira começou a rir como se tivesse acabado de ouvir a piada do século, se curvando de tanto rir:

— Não me diga que quer insinuar que seu alvo é aquele gênio que se formou em Harvard aos 16 anos, criou sua própria empresa ao voltar para o país e, em apenas dois anos, se tornou líder do setor? Agora ele domina o mercado no exterior. Você está falando do Sr. Zéfero, de São Feliciano?

Assenti com seriedade, depois balancei a cabeça.

Afinal, foi Zéfero quem quis subir na minha cama... e foi chutado por mim.

Evaristo sorriu de forma sedutora:

— Você dizer que gosta do meu irmão bem diante de mim, realmente chamou minha atenção.

O rosto de Jandira mudou drasticamente. Ela se agarrou ao braço de Evaristo, fazendo-se de manhosa:

— Você disse que só eu sou sua casa. As outras mulheres são como hotéis. — Pode passar uma noite nelas de vez em quando, mas, no fim, sempre volta para casa.

Evaristo afagou a cabeça dela para tranquilizá-la:

— Sim, você é minha casa. Mas, no momento, quero me hospedar em um hotel.

A expressão de Jandira se apagou, mas ela não ousou contestar.

Evaristo afastou a mão de Jandira de seu braço e lambeu os lábios, me avaliando de cima a baixo:

— Seu rosto me parece familiar... Já nos vimos em alguma casa noturna? Mas eu não gosto de mulheres que usam maquiagem. Faça o seguinte: tire essa maquiagem para eu ver. Se você não for um dragão horroroso, Jandira será a principal e você, a secundária. Quanto à criança, se livre dela. Jandira ainda não teve filhos, então você não pode ser a primeira a engravidar.

Os olhos de Jandira brilharam ao ouvir isso. Ela fez um beicinho de insatisfação:

— Evaristo, eu não gosto dela.

Evaristo deu um tapinha tranquilizador nas costas dela:

— Pronto, seja generosa. Eu prometo que você sempre será a esposa oficial.

Depois de acalmar Jandira, ele se virou para mim e, ao notar que eu não me mexia, franziu a testa:

— O que está esperando? Vá tirar essa maquiagem. — Ele deu um leve tapa no traseiro de Jandira. — Vai lá, ajuda ela.

Jandira assentiu obedientemente, mas seus olhos estavam cheios de triunfo ao me encarar:

— Berenice, de agora em diante, você terá que me chamar de irmã mais velha. Enquanto eu estiver aqui, você sempre será a concubina! — Dizendo isso, ela e as outras garotas rebeldes vieram para cima de mim...

Eu estava em desvantagem numérica e fui imobilizada por Jandira e suas seguidoras junto à pia do banheiro.

A água encharcava meus olhos e nariz, me sufocando.

Meio cega pela ardência, vi o olhar cruel de Jandira e senti um arrepio. Reunindo todas as minhas forças, consegui me libertar.

Escapei no instante exato em que Jandira tentava jogar uma bacia de água sobre mim.

A água espirrou na pia, soltando uma nuvem de vapor branco.

Era água fervente.

Se eu não tivesse desviado a tempo...

Dessa vez, eu não ia poupar ninguém. Peguei o telefone e liguei para a polícia:

— Alô, 190? Tem um ataque acontecendo aqui.

A raiva de Evaristo desapareceu instantaneamente quando viu meu rosto intacto. Seus olhos quase saltaram das órbitas:

— Então você é naturalmente bonita? Nem estava usando maquiagem. — Ele sorriu com arrogância. — Agora, eu permito que você me beije.

Olhei friamente para aquele idiota, mas minha mente já trabalhava em um plano para fazer Zéfero lhe dar uma boa lição.

Os olhos de Jandira quase soltavam fogo, mas ela ainda forçou um sorriso falso:

— Já que agora somos uma família, brindar à esposa oficial não seria exagero, certo?

Não encontraram vinho de imediato, então uma das garotas me passou uma garrafa de água mineral.

Olhei para Jandira, triunfante, e de repente me lembrei da primeira vez que a vi. Ela não teve medo do perigo e me ajudou a afastar um veterano que me assediava.

E agora, por causa de um homem, nossa amizade se desfez tão facilmente.

Peguei a garrafa de água, abri e, sob o olhar arrogante de Jandira, despejei todo o líquido sobre ela, da cabeça aos pés.

— Ah! — Jandira gritou, enlouquecida.

Antes que ela pudesse surtar, a polícia finalmente chegou.

...

Saindo da delegacia, Jandira se agarrou ao braço de Evaristo com carinho:

— Berenice, você é mesmo sem noção. Todo o dinheiro vem do Evaristo, então por que ficar transferindo de um lado para outro?

Evaristo segurava um rosário entre os dedos, os olhos fechados como se estivesse cochilando. De repente, abriu os olhos e me lançou um olhar indiferente:

— Se quer dinheiro, não precisa recorrer a truques sujos. Sempre fui generoso com mulheres. Se nos servir bem, a mim e à Jandira, você viverá bem. — Ele tirou um cheque e o colocou diante de mim. — Vá ao hospital tirar essa criança. Esses quinhentos mil são seus.

Olhei para ele friamente, sem dizer uma palavra. Peguei meu celular e disquei um número familiar.

— Alô? Estou grávida. Alguém quer matar seu filho.

— Onde você está?! — Do outro lado da linha, a voz estava cheia de urgência.
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