Alguns dias se passaram e era chegado o dia do casamento de Anala e Joseph. Tudo iria acontecer de forma simples, a pedido da futura rainha.
Anala estava em seu quarto acompanhada por Rita. A garota rejeitou a presença de Simione. Para ela não tinha serventia estar na presença de alguém que não a suporta.
–Faltam algumas horas para o casamento, Lady Anala. O que deseja fazer?
–Não estou tão bem, mas gostaria de relaxar um pouco. Que tal um tratamento com óleo corporal e uma máscara facial à base de pepino? Acho que vou ficar melhor.
Rita ajudou Anala a fazer tudo que pediu. As duas se divertiam rindo e comentando sobre futilidades. Simione entra sem bater com um ar de deboche.
–Onde devo mandar colocar o bolo, senhora? No ambiente externo ou na grande sala da recepção?
–Prefiro junto à recepção, Simione. E não entre no meu quarto sem bater, por favor. Pode ir.
Si
Kali estava pronta e se olhava no espelho sentindo um aperto estranho no peito. Não estava nem um pouco espirituosa para esse coquetel.Lia entrou no quarto e parou por alguns segundos para admirar a beleza de Kali. A morena vestia dourado, uma das cores que mais exaltam a pele negra. Um leve decote e um lindo colar adornavam o colo de Kali. O vestido moldava bem seu corpo e possuia uma pequena fenda na perna direita.Abismou-se quando viu que ele era um pouco ousado para o gosto da rainha. Mas não fez perguntas. Sabia que para abrandar os comentários sobre sua cor, a rainha apelaria para sua beleza. Sorriu ao se dar conta que a rainha faz jogadas inteligentes. Mas ela também tinha suas jogadas preparadas. Usaria de pouco em pouco.–A senhora parece uma divindade.–Lia elogia.–Sou filha de um Deus, Lia. Pode me chamar de Deusa Kali.Ao dizer isso, os olhos âmbar de Kali brilharam de forma sobrenatural. Lia curvou levemente o corpo como se realmente esti
Shanti caminhava em direção ao centro do povoado, distraidamente. Pensava nos primeiros passos que teria que dar para começar a fazer mudanças por ali.Ela sabia que não seria algo fácil ou rápido; teria que se esforçar muito para pelo menos plantar uma semente entre eles.Ao longe já dava para ver as mulheres sentadas; umas bordando, outras, conversando. Algumas pareciam sonolentas e outras apresentavam expressões de tédio. Era uma mistura bem interessante.Shanti se aproxima e rapidamente é notada. Narí logo leva Shanti até o meio das mulheres.–Nossa líder Shanti agora fará parte do nosso grupo, meninas.As mulheres, aos poucos, aproximavam-se e iam cumprimentando a ruiva. Algumas simpáticas, outras eram mais tímidas. Malia, que estava encostada em uma árvore próxima, observa a recepção de Shanti. Resolveu ser a última a ir cumprimentá-la.–Seja bem-vinda, líder Shanti.–Diz M
Anala ouvia tudo muito atentamente. Não queria parecer distraída aos olhos de quem a observava. Já Joseph estava totalmente alheio. Parecia que sua mente estava visitando um outro universo.–Agora, durante a troca de alianças, ouviremos o juramento do rei e após da nossa futura rainha.Joseph tira a caixinha do bolso e tira a aliança que vai no dedo de Anala. Ele olha para a mulher divinamente arrumada e cheirosa e dá um meio sorriso. Anala permanece séria. Joseph parece nervoso.–É difícil estar aqui, perante todos vocês, casando mais uma vez. Não era esse meu plano quando mais jovem. Mas... Era necessário dar esse passo novamente. Peço desculpas à memória de Pauline que deve ser ainda muito viva entre alguns vocês.–Ele coloca a aliança no dedo de Anala.–Receba essa aliança como prova do... Como prova do meu...Rapidamente Anala pega a aliança e coloca no dedo de Joseph. Eles viram para o celebrante e ela ped
William volta para junto de Kali e então voltam a conversar com os convidados. Um tempo depois começam a servir a entrada. Kali estava desconfortável, mas em nada demonstrava isso. A garota era só risos e simpatia.–A sua nora é belíssima, rainha Margareth.–A mulher do comprador e vendedor mais famoso de escravos, Calixta, comenta.–Pensei apenas que ela seria mais...alva.–Entendo. Mas ela foi quem ganhou o coração do meu William. E apesar de tudo, ela é muito obediente. Deve ser uma característica da cor né? Ainda bem.As duas riram e mudaram de assunto. Charles, ao canto e bebendo seu whisky, observava Kali passeando entre os convidados. Em dado momento, quando boa parte dos convidados se concentravam em serem servidos, ele se aproxima de Kali.–Como você está?–Um pouco desconfortável, mas já percebi que ela foi embora. Você deve ter visto.–Charles assente.–Seu irmão é inacreditável. Ainda a
Shanti tinha conseguido fazer seu marido se abrir totalmente. Descobriu que Denzel é extremamente incomodado com o fardo que carrega. Não pelas responsabilidades do título, mas pela responsabilidade de manter as tradições antiquadas do seu povo.Denzel afirmou que se enxerga como um bom líder, mas que sabe que poderia ser bem melhor sem tantas amarras. Queria mudanças, mas era medroso para começar. Tinha medo de deixar de ser temido, respeitado, ou até mesmo deixar de ser líder pelo querer do povo. Demonstrou ser um homem cheio de inseguranças.–Minha vez. Bom, se sua vida não tivesse tomado esse rumo, que outro tomaria? Quais planos você tinha para sua vida?Shanti tinha gostado da pergunta. Sorriu de imediato. A pergunta lhe fez refletir sobre toda sua adolescência. Todos os sonhos que fez questão de sonhar para si. Era incrível mergulhar nessas lembranças outra vez.–Obviamente eu teria me especializado em algo útil para meu povo. Eu amo ler, sabe? Amo con
Após o discurso polêmico da agora princesa Kali, a rainha Margareth encerrou mais cedo do que gostaria a pequena comemoração. O clima já não estava tão agradável assim para uma festa. Antes que virasse um velório, deu por encerrada.As pessoas iam embora enquanto, ao canto e sob a companhia de Lia, Kali bebia. Charles olhava admirado para a mulher que antes tinha feito o discurso mais corajoso da história. Cansada e nem um pouco afim de ouvir a confusão que estava por vir, Ana pede para se recolher. Charles a acompanha até o quarto.Após o último convidado ter ido embora, a rainha Margareth solta um grito de pura histeria. Os serviçais até assustaram-se.–O QUE VOCÊ FEZ COM TODO MEU ESFORÇO PRA QUE ACEITASSEM VOCÊ COMO PRINCESA, SUA ESCRAVA?Kali continuava bebendo enquanto a rainha estribuchava tecendo comentários horrorosos em voz alta sobre ela. William e o rei Philip observavam tudo com receio de se aproximar. A rainha parecia fora de si.–VOCÊ ENTE
Rita ajudou Anala a fazer as malas, ambas em silêncio há bastante tempo. A rainha queria muito entender o seu marido, mas ele não abriu uma brecha. Parecia que algo dentro dele detonava cada vez que é acionado um gatilho. Gatilho esse chamado Pauline.–Não se preocupe, rainha. Eu sei que ele vai tornar a si e tratá-la como deve. Não fique aflita nem tenha medo da sua primeira noite com ele.–Não temo pela retirada da minha virgindade, Rita. Nós de Amrita somos educadas a entender isso de uma forma mais crua, sem tanto mel. Compreende?–A serviçal assente.–Isso nos faz mais realistas. Aprendemos a entender que a retirada do hímen não é nada se feito sem sentimentos. O que muda a percepção das coisas é o que sentimos, Rita.–Que interessante. Aqui é tão romantizado que gera frustação muito fácil. E a mulher não fica tão no centro sempre sabe? Mas dá pra levar.Com as malas prontas e também arrumada, Anala observou os serviçais colocando suas malas na
Denzel despertou e ficou chateado ao não ver Shanti na cama. Cuidou e depois foi procurá-la pela casa, mas só encontrou uma bela mesa posta. Ele sorriu e balançou a cabeça.–Essa é difícil viu?Ele comeu, ajeitou-se e foi embora resolver os problemas que estavam surgindo em Anuã. Encontra Falzer e Joguer aguardando-o.–O povo de Yatú está começando a entrar em conflito conosco. Eles sabem que aquela parte que corre a cachoeira é neutra, mas mesmo assim marcam território quando estão lá. Como se fossem os donos.–Você sabe bem, Denzel...–Agora era a vez de Falzer falar.–O líder de Yatú não gosta de nós. Temo por uma possível tentativa de tomada de território.Denzel já estava começando a ficar com dor de cabeça e o dia mal tinha começado. Ele sabia que outros povos cresciam ao derredor de suas terras, mas sempre incentivava seu povo a ter respeito. Só que não era recíproco em alguns casos. Como