postes enferrujados. Ele sabia que era uma armadilha, mas não tinha escolha.Com a arma em punho, ele caminhou com passos firmes, mantendo-se atento a qualquer movimento. Ao se aproximar da entrada do galpão, ouviu um grito abafado. Beatriz.O sangue de Davi ferveu. Ele chutou a porta, disparando um tiro para o alto. Os capangas de Ricardo se viraram surpresos, mas Davi foi mais rápido. Com tiros certeiros, acertou dois deles antes que pudessem reagir.Ricardo segurava Beatriz pelo braço, uma faca pressionada contra sua pele.— Solte-a, Ricardo! — Davi rosnou, apontando a arma para ele.Ricardo riu, apertando ainda mais a lâmina contra Beatriz.— Você realmente acha que vai sair vivo daqui? — ele zombou. — Eu sempre estive um passo à sua frente, Bernardes.Beatriz olhou para Davi com olhos suplicantes. Ela sabia que qualquer movimento errado poderia ser fatal.Então, em um movimento calculado, Beatriz cravou seu salto no pé de Ricardo, fazendo-o gritar de dor e soltar a faca por um se
Os dias que se seguiram foram uma montanha-russa de emoções para Beatriz. Mesmo com Ricardo Vasconcelos atrás das grades e os negócios da Bernardes Corporation se estabilizando, ela não conseguia se livrar da sensação de que algo ainda estava errado. Pequenos detalhes nos relatórios financeiros pareciam inconsistentes, e quanto mais ela analisava os documentos, mais suspeitas surgiam.Davi notou sua inquietação e a chamou para conversar em seu novo escritório.— O que foi? — ele perguntou, puxando-a para sentar ao seu lado no sofá de couro.Beatriz mordeu o lábio, hesitante. — Eu não sei se está realmente acabado, Davi. Encontrei registros de transferências suspeitas. Pequenos valores, mas com padrão similar ao esquema que Ricardo tentou armar contra você.Davi franziu a testa, pegando o tablet que ela lhe entregava. Analisou os dados por alguns minutos antes de soltar um suspiro pesado.— Isso não foi obra de Ricardo. Alguém dentro da empresa ainda está jogando contra mim.Beatriz se
Beatriz sentia que a tormenta que haviam enfrentado finalmente tinha chegado ao fim. Ricardo Vasconcelos estava preso, os capangas haviam sido desmantelados e a Bernardes Corporation estava livre da corrupção. Mas algo dentro dela gritava que a paz era apenas ilusória.Nos últimos dias, um incômodo sentimento de estar sendo observada a acompanhava. No escritório, em casa, até mesmo no restaurante onde costumava almoçar. Pequenos detalhes lhe chamavam atenção: um carro preto estacionado sempre na mesma rua, um homem de capuz que parecia estar em todos os lugares por onde passava.Ela tentou ignorar, convencendo-se de que era apenas resquício do trauma recente, mas não conseguiu.Certa noite, ao sair do trabalho, Beatriz decidiu testar sua intuição. Pegou um caminho diferente, atravessando um beco e cortando por ruas menos movimentadas. Seu coração acelerou quando percebeu que, a três carros de distância, o mesmo veículo preto ainda a seguia.Ela parou de repente na calçada, fingindo ol
Na mesma noite, um pacote foi deixado na porta do apartamento de Beatriz. Dentro, havia um celular descartável. Antes que ela pudesse reagir, ele tocou.— Beatriz Bernardes? — a voz do outro lado era fria e calculada. — Você está se metendo onde não deve.Beatriz sentiu o corpo gelar.— Quem é você?Uma risada baixa ecoou pela linha.— Pergunte a Davi sobre Matteo Salvatore. Mas pergunte se ele realmente quer que você saiba a verdade.A ligação foi encerrada antes que Beatriz pudesse responder. Seu coração batia descompassado enquanto ela olhava para o celular em suas mãos.Davi não estava contando tudo. E agora, ela sabia disso.Beatriz olhava para o celular descartável em suas mãos, sentindo o peso da ligação. Matteo Salvatore. Aquele nome pulsava em sua mente como um alerta vermelho. Ela precisava de respostas. E só uma pessoa poderia dá-las.Sem perder tempo, pegou sua bolsa e saiu apressada em direção ao apartamento de Davi. Seu coração martelava a cada degrau que subia. Quando e
A noite estava silenciosa demais. Beatriz e Davi estavam em um galpão abandonado, esperando a chegada de Matteo. O plano era simples: oferecer a ele um falso acordo e forçá-lo a mostrar sua verdadeira face.Quando os carros pretos finalmente apareceram, Beatriz sentiu o estômago se revirar. Matteo desceu de um deles, acompanhado por homens armados. Seu olhar frio encontrou o de Davi.— Você realmente achou que poderia me enganar, Bernardes? — Matteo sorriu, mas seus olhos eram calculistas. — Você está lidando com alguém muito acima do seu nível.Davi cruzou os braços.— Todo homem comete erros, Salvatore. E o seu foi me subestimar.Matteo riu baixo, mas sua expressão mudou quando um clique ecoou pelo galpão. Beatriz, que estava ao lado de Davi, ergueu um gravador.— Cada palavra sua foi registrada. — Ela sorriu. — E enviada diretamente para a polícia.Os olhos de Matteo se estreitaram. Ele fez um sinal discreto, e seus homens sacaram as armas.— Isso foi um erro, senhorita Beatriz.An
O tempo passou, e Beatriz agora era mãe de um lindo menininho, Miguel. Com seus olhos castanhos profundos e um sorriso travesso, ele era a imagem perfeita do pai.A vida no vilarejo era simples, mas feliz. Beatriz havia construído uma rotina tranquila, trabalhando remotamente para empresas e mantendo sua independência. No entanto, apesar da paz que encontrou, nunca deixou de pensar em Davi.Até que, em uma tarde chuvosa, tudo mudou.Beatriz estava na pequena livraria da cidade quando sentiu um arrepio na espinha. Ao virar-se, encontrou um par de olhos intensos fixos nela. Davi.O tempo parecia ter parado. Ele estava ali, em carne e osso, mais maduro, com uma expressão que misturava surpresa, dor e algo mais profundo: saudade.— Eu finalmente te encontrei. — Sua voz era rouca, carregada de emoção.Beatriz sentiu o coração disparar. Miguel, ao seu lado, olhou para Davi com curiosidade, sem entender a conexão que acabava de ser feita.— Mamãe, quem é ele? — A voz inocente de Miguel preen
O som dos tiros ainda ecoava na mente de Beatriz quando ela entrou no hospital. Seu coração batia descompassado, a respiração irregular. Davi jazia em uma maca, inconsciente, os médicos ao seu redor lutando para estabilizá-lo.A cirurgiã olhou para Beatriz com expressão séria. — O ferimento foi grave. O projétil atingiu a cabeça dele de raspão, mas houve um trauma considerável. Ele está em coma, sem previsão de despertar.O mundo de Beatriz estremeceu. Ela apertou o punho, sentindo uma onda de dor e raiva se misturar. Ricardo Vasconcelos estava preso, mas os resquícios de seu império ainda ameaçavam tudo o que Davi construiu. E agora, ele não estava lá para protegê-los.Com a mão trêmula, Beatriz acariciou o rosto de Davi. — Eu vou cuidar de tudo. Vou proteger você e nossa família. E quando você acordar, nada mais nos ameaçará.Na ausência de Davi, Beatriz assumiu a Bernardes Corporation. Os conselheiros não gostaram da mudança, mas nenhum deles ousou enfrentá-la diretamente. Ela não
Beatriz sempre foi meticulosa. Seu olhar afiado para detalhes a fazia enxergar o que passava despercebido para a maioria. Trabalhar na Bernardes Corporation era um desafio constante, mas ela sempre gostou de desafios. Como secretária-executiva de Davi Bernardes, aprendeu a se movimentar nos bastidores de um império bilionário e a lidar com os jogos de poder que ocorriam dentro da empresa. Mas nunca imaginou que um simples erro contábil a levaria a descobrir um esquema de corrupção muito maior do que poderia imaginar.A primeira pista veio em forma de um e-mail enigmático, sem remetente identificado, com um anexo chamado "Análise Financeira 04/2024". Beatriz hesitou antes de abrir, mas a curiosidade foi maior. O documento mostrava uma série de transações financeiras atípicas, movimentando quantias milionárias entre empresas de fachada. Em condições normais, poderia ser algo insignificante, mas os padrões lhe pareceram estranhos.Ao cruzar os dados com relatórios antigos, percebeu que e