A porta da sala de exames se abriu por dentro.Lucas saiu, abotoando os botões da camisa com uma mão só. Seu rosto sério e elegante não demonstrava qualquer emoção.Camila observou-o atentamente. Ao notar que sua expressão permanecia tranquila, concluiu que ele provavelmente não havia ouvido a conversa que tivera com Enzo.Ela soltou um suspiro de alívio. Não tinha medo de quase nada, mas Lucas era especialista em guardar mágoas sem explicação. E, para ela, um silêncio frio era muito mais torturante do que uma discussão acalorada.Pegando o copo de água das mãos do segurança, Camila o abriu, serviu um pouco e o entregou a ele:— Está sentindo alguma coisa? Algum desconforto?Lucas pegou o copo, tomou um gole e respondeu calmamente:— Era só um eletrocardiograma. Não tem nem o que sentir.Camila arqueou as sobrancelhas, como se estivesse desconfiada:— O médico que te atendeu era homem ou mulher?Lucas parou por um instante, depois riu. Levantou a mão e deu um leve toque no nariz pequen
— Um bilhão, e ela aceitou ser “vendida”. Uma pessoa que só enxerga dinheiro vale tudo isso para você? — O desprezo nos olhos de Enzo era tão evidente que ele nem sequer tentou disfarçar.Lucas curvou os lábios em um sorriso quase imperceptível:— Ela não é esse tipo de pessoa. E, se você continuar insultando-a, não me culpe por perder a paciência.O tom da voz dele era calmo, o rosto impassível. Mas havia algo em sua postura e na frieza do olhar que pressionava como uma montanha. Essa pressão fazia Enzo se sentir desconfortável, com vontade de socar alguma coisa.Mas ele se conteve. Era seu filho, afinal. Em todos esses anos, nunca havia sequer levantado a mão contra ele. E, por mais que quisesse reagir, tinha medo de que uma briga mais séria resultasse em um rompimento irreparável. Perder Lucas não era uma opção.— Você é simplesmente impossível!Foi tudo o que conseguiu dizer, antes de virar as costas e sair, batendo a porta com força.Quando Camila voltou ao quarto, após ter sido e
A cafeteira caiu no chão com um estrondo, e a tampa se soltou. Felizmente, era de aço inoxidável e não quebrou.Luís lançou um olhar breve para a cafeteira caída e ergueu as sobrancelhas enquanto olhava para Vera. Seu olhar era frio, com um leve toque de irritação:— Ficar tão agitada só porque ouviu o nome dele?Vera tentou manter a compostura, embora seu rosto estivesse um pouco pálido:— Não fiquei agitada. Só achei inesperado, isso é tudo.— Achei que você já tivesse esquecido.A voz de Luís tinha um tom de sarcasmo.— Esqueci, sim. Se você não tivesse mencionado, nem lembraria que ele existe. — Vera respondeu, esforçando-se para soar tranquila. Depois, abaixou-se para pegar a cafeteira e foi até o bebedouro.Suas sobrancelhas franzidas estavam tão apertadas que pareciam presas por um nó. Seu coração, que inicialmente havia se encolhido de medo, agora estava tomado por uma onda de ressentimento. Um turbilhão de emoções se agitava dentro dela, tornando-a vulnerável. Mesmo depois de
— Fale a verdade. — Camila estreitou os olhos, desconfiada.— Naqueles dois anos, minhas pernas estavam ruins, não podia te levar para sair. Depois que melhorei, voltei para a empresa e fiquei tão ocupado tentando recuperar meu espaço que mal levantava a cabeça. Nunca sobrava tempo para te trazer a lugares assim. Vou tentar arranjar mais tempo daqui em diante, te trazer para passear mais vezes.Camila sentiu um pressentimento ruim:— Você está prestes a perder o emprego, não é?— É possível.Camila compreendeu imediatamente. Era por causa dela. Lucas provavelmente havia rompido de vez com Enzo.Sentindo-se culpada, ela murmurou:— Você...Como se tivesse adivinhado o que ela ia dizer, Lucas respondeu com um tom despreocupado:— Se tiver que romper, que rompa. Mesmo que eu saia da empresa dele, não vou passar fome. O único motivo pelo qual ainda não saí é porque a empresa representa todo o patrimônio dos meus avós. Sair assim, sem mais nem menos, seria difícil de engolir. Minha mãe tamb
Camila não sabia se ria ou suspirava:— No hospital, o que eu disse para o Luís foi só da boca pra fora, coisa de momento. Não leve isso tão a sério.Os lábios de Lucas se apertaram levemente. Ele realmente não se importava tanto com aquelas palavras ditas ao Luís. O que o deixava inquieto era algo muito mais profundo: a possibilidade de Camila perceber que Pedro era o Pedro que ela guardava no coração. Esse era o verdadeiro perigo.Ela murmurava o nome dele até nos sonhos, e Pedro, por sua vez, estava sempre à espreita, cercando-a por todos os lados.Às vezes, Lucas sentia que ele era o intruso na história. Já havia pensado em abrir mão dela para que fosse feliz, mas, quando tentou, a dor foi insuportável. Era como se estivesse arrancando um pedaço de si mesmo.Três anos de relacionamento não eram apenas tempo passado. Era tempo vivido, suficiente para entrelaçar duas pessoas, tornando-as parte uma da outra, como carne e osso. Se não podia deixá-la ir, o único caminho era lutar por el
— Então, obrigada por isso. — Camila agradeceu.— Em cerca de quarenta minutos eu chego. Você pode descer para pegar?Camila olhou para o relógio no pulso:— Tudo bem, obrigada.Depois de desligar, ela e Lucas pediram comida pelo celular, para ser entregue no quarto. Comeram em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos.Quando terminaram, Camila ajudou Lucas a trocar o curativo. O inchaço já havia diminuído, mas a ferida ainda estava feia. A carne ali parecia ter sido dilacerada, o que fazia o coração dela apertar. Ela o abraçou com ternura, incapaz de esconder a preocupação.Logo após a refeição, o serviço de quarto veio buscar os pratos. Nesse momento, o telefone de Camila tocou novamente. Era Paula.— Srta. Camila, estou no saguão, no primeiro andar. Pode descer para pegar o que trouxe?— Claro, me espere um instante. Já estou indo.Camila pegou uma roupa para trocar, mas Lucas tomou o celular das mãos dela antes que ela pudesse sair:— Eu vou buscar.— Foi o Pedro quem mandou a
Pedro ficou em silêncio por um instante:— Eu te vejo como uma irmã.Paula fez um bico de descontentamento:— Nós dois não temos nem um pingo de parentesco!Pedro, direto, respondeu:— Eu não sinto nada por você além de amizade.— Sentimentos podem ser cultivados. Me dá uma chance, e a gente pode construir algo juntos.Pedro franziu a testa, impaciente:— Estou ocupado aqui. Preciso desligar.— Você...Antes que ela pudesse terminar, a ligação foi encerrada. Paula ficou olhando para o celular, com as bochechas infladas de raiva.— Sempre assim, sempre assim! — Murmurou Paula, irritada. — Ele nunca tem paciência comigo. Prefere gostar de uma mulher que já foi casada a me dar uma chance. É de enlouquecer!Frustrada, ela decidiu ligar para Vera.— Tia Vera, fui encontrar a Camila, mas não consegui vê-la. Só vi o marido dela. Ou melhor, o ex-marido.— O ex-marido disse alguma coisa? — Perguntou Vera, com pouco interesse.— Nada demais. Mas, tia, ele é lindo! Tão bonito quanto o Pedro.Vera
Lucas segurou o pulso dela e, com um tom brincalhão:— Prefiro quando está na sua boca.Camila inclinou-se para ele, aproximou os lábios dos dele e deu-lhe uma leve mordida, com os olhos cheios de ternura:— Assim?Lucas abaixou levemente os cílios, lançando um olhar carregado de intenção.Camila entendeu na hora e revirou os olhos:— Sonha, vai.Ela virou o rosto, mas a ponta das orelhas ficou ruborizada. Por dentro, no entanto, ria consigo mesma:"Que homem descarado! Dou um pouco de atenção, e ele já quer subir nas tamancas."— Não quer?A voz de Lucas saiu carregada de desejo.Alguns homens, com apenas algumas palavras, já conseguem incendiar tudo ao redor.De costas para ele, Camila sentiu o rosto queimar:— É de dia, Lucas. Seja mais decente.— Então eu coloco você na minha boca.Camila virou nos calcanhares para sair, mas ele foi mais rápido e a segurou pelo braço. Antes que ela pudesse reagir, Lucas mordeu os lábios dela e, num movimento ágil, explorou sua boca com a língua, pr