O tempo no banho parecia passar tanto rápido quanto devagar, de maneira incerta. Kayra, com a cabeça fervendo, revivia o diálogo que acabava de acontecer, refletindo sobre como o álcool realmente eliminava quaisquer temores... Após um período indefinido, finalmente vestiu o roupão, ajeitou os cabelos molhados e saiu do banheiro.Lá estava Enrico, casualmente envolto em um robe de dormir de padrões discretos, com o peito parcialmente exposto, sentado no sofá de maneira relaxada e descompromissada, à espera dela. Ao vê-la parada, ele se levantou e caminhou até ela, gentilmente afastando os cabelos molhados de seu rosto para revelar as suaves curvas de seu perfil.A garganta de Enrico se movia enquanto ele, incapaz de resistir, se aproximava da delicada orelha dela, respirando sobre seu cabelo e ouvido. Um arrepio elétrico percorreu a base de sua espinha, fazendo ela estremecer involuntariamente. Seus olhos estreitos brilharam e ele se inclinou de repente, prestes a beijá-la, quando o
— O que houve? — Perguntou Kayra. — Há algo errado?— Este perfume é realmente totalmente artesanal? — Rafael, incapaz de conter sua curiosidade, aproximou o frasco, cheirando-o atentamente.— Eu disse que você se interessaria! Tive a mesma reação quando vi o sachê pela primeira vez. — Explicou Kayra. — Na montanha, existem apenas quatro casas e um pátio, e de vez em quando, animais selvagens aparecem. A velha senhora não possui ferramentas profissionais, talvez tenha apenas sua habilidade manual.— A base de sua perfumaria provavelmente não é inferior à minha. — Suspirou Rafael. — É realmente um desperdício que uma pessoa com tanto talento viva nas profundezas das montanhas...— Na verdade, não é bem assim. — Discordou Kayra da opinião de Rafael. — Ela sustenta dois filhos com sua arte e sua família vive feliz. Ter talento não significa necessariamente alcançar fama e sucesso.Rafael acenou com a cabeça, concordando plenamente.— Quando saí, prometi que enviaria um conjunto de ferrame
A porta lateral do escritório de Enrico se abriu, e os assistentes apressadamente escoltaram Solange para fora, parecendo temer que Kayra a descobrisse. Eles se posicionaram perto da sala de visitas, com dois assistentes bloqueando a passagem de Solange. Kayra, por dentro, sorriu friamente."Uma reunião? Do tipo que até a Solange participa?"Ela olhou novamente para o celular e viu o menu. Havia escolhido todos os pratos preferidos dele, e os cantos dos lábios de Kayra subitamente se curvaram num esboço frio.Seus olhos brilharam, e ela pegou o celular com determinação para ligar de volta para o número do restaurante:— Olá, vocês já começaram a preparar o pedido que fiz há pouco?— Senhora, seu pedido já está pronto para entrega, chegará em cerca de dez minutos. — Respondeu o atendente, cortesmente.— Então, por favor, me traga alguns pacotes extras de tempero. — Disse Kayra, mantendo a voz calma.— Claro, de qual sabor a senhora prefere?— Do mais picante possível. — Respondeu Kayra
Kayra apertou os lábios, evitando prosseguir com o assunto.Enrico cruzou as pernas e contornou a mesa para se aproximar dela:— Recentemente, iniciamos um grande projeto em colaboração com o Grupo Fagundes. Você conhece o Bruno, ele sempre tem suas artimanhas, então preciso supervisionar pessoalmente, o que me deixará um pouco ocupado.Kayra deu um passo para trás, mantendo distância, sem responder.— Há mais alguma coisa que você gostaria de saber? — Enrico fixou os olhos em seu rosto, sem desviar o olhar.— Não é nada. — Ela respondeu teimosamente.Enrico não insistiu, suavizou o olhar que a pressionava e disse lentamente:— A equipe do projeto do Grupo Fagundes trouxe alguns arquitetos profissionais e também trouxeram a Solange, eles chegaram juntos.— Oh? — Kayra ergueu uma sobrancelha, embora tivessem chegado juntos, definitivamente não partiram juntos!— Você não os viu? — Perguntou Enrico.— Por que eu deveria vê-los? — Kayra negou.Um sorriso sutil surgiu no canto da boca de E
Enrico observou a mulher astuta à sua frente, com um sorriso brilhando nos olhos estreitos."Apesar de ser uma provocação, por que estou disposto a aceitá-la com tanto gosto?"— Não mencionei isso casualmente. O departamento de marketing do Grupo Ramos já está trabalhando até mais tarde nos planos, que estarão prontos amanhã. Você poderá verificá-los a qualquer momento, e se houver algo que não a satisfaça, pode fazer suas exigências. — Afirmou Enrico.Kayra levantou uma sobrancelha, sorrindo:— Ótimo, então amanhã às dez da manhã, peço que o presidente Enrico traga o plano ao Grupo Lima, e nós podemos discuti-lo juntos.— Sem problemas. — Concordou Enrico, se virando para instruir Carlos a adicionar isso à agenda do dia seguinte, destacando a importância.Carlos, surpreso, levantou a mão e apoiou o queixo, enquanto o Presidente Enrico, diante de Sra. Kayra, se mostrava disposto a agir como um estagiário entregando a proposta, revelando um lado diferente do presidente.Kayra, que já ha
Kayra pressionou os lábios, reconhecendo que Enrico era de fato astuto e eloquente, além de possuir um raciocínio aguçado:— Tem prós e contras.A resposta de Kayra foi sucinta e clara, e ela se voltou então para os demais colegas na sala de reunião:— A partir de hoje, vamos concentrar nossos esforços. Estou planejando organizar uma exposição de perfumes em breve, em parceria com a popularidade da "Borboleta da Sibéria". O local ainda será definido, e todos os nossos perfumes promocionais deverão ser exibidos. Precisaremos do esforço conjunto para o sucesso do plano da exposição.Em apenas um dia, "Borboleta da Sibéria" já havia gerado uma onda de expectativa online, e os especialistas do setor, após receberem amostras das mãos de Rafael, não pouparam elogios.Os consumidores também demonstravam grande ansiedade. Aproveitando essa popularidade, Kayra pretendia transformar o produto em um destaque da divisão de perfumes do Grupo Lima, com intensas promoções a seguir.— Sim. — Responder
Na escadaria, um subordinado ao lado de Valentino perguntou cautelosamente:— Sr. Valentino, o senhor pretende fazer com que a Kayra se sinta feliz com os eventos desta noite? E ao mencionar novamente o patrocínio para o perfume dela, ela naturalmente aceitará?Valentino não negou.— Mas o senhor patrocinar o perfume que ela desenvolveu não é justamente para ter mais oportunidades de se aproximar e alegrá-la? Isso não seria muito indireto? — Questionou o subordinado, confuso.Valentino, com seus olhos incisivos e expressão séria, lançou um olhar penetrante:— Quantas vezes eu disse que as instruções do avô devem ser consideradas repetidamente? Ele planejou essa abordagem indireta para que eu me aproximasse da Kayra. Como eu poderia simplesmente persegui-la como uma garota comum? E se algo der errado, você quer entregar o patrimônio da família Oliveira para o Emanuel?— Desculpe, Sr. Valentino. — Disse o subordinado, baixando a cabeça.— Da próxima vez, fale menos bobagens e pense mais!
— Antes do início do banquete, o Fabiano e o Sr. Valentino haviam conversado por muito tempo no segundo andar. Seria isso relacionado ao Sr. Valentino?O astuto mordomo ajudou Verônica a analisar:— Ouvi dizer que, anteriormente, na celebração do centenário da família Oliveira, o Valentino auxiliou a Kayra... Talvez o Valentino esteja interessado na Kayra? E, além disso, parece que o Ademir também deu sua aprovação tácita...— Você quer dizer que o Valentino está tentando conquistar a Kayra? E até pediu ao pai para criar oportunidades para ele? Isso é absurdo! — Verônica se expressou em voz baixa, furiosa.— O Fabiano tem se esforçado para ganhar o apoio da família Oliveira, então não é impossível que ele queira agradar o Valentino agora. — O mordomo prosseguiu.Verônica apertou os punhos, rangendo os dentes:— Eu não posso permitir que a Kayra e o Valentino fiquem juntos!— Mas não seria benéfico para a senhorita se a Kayra pudesse se afastar do Enrico por essa oportunidade? — O mordo