— Eu comido faz tempo! — Riu Kayra, sabendo que Rafael estava preocupado com ela. — No caminho de volta, imaginei toda a jornada, planejando usar algumas das especiarias mais frias para criar essa fragrância. Já pensei nas principais: a nota de cabeça será âmbar e groselha preta, a nota de coração será sálvia e anis, e a nota de fundo eu originalmente pensei em usar cedro e abeto, mas sinto que o cedro é muito sombrio, quero criar uma sensão de enfrentar as dificuldades. Você poderia me ajudar a pensar em uma alternativa para o cedro?— Ha ha. — Rafael soltou uma risada fria através do telefone. — Você está tentando me complicar, não é? As especiarias de frio extremo são raras. O professor está velho, o cérebro não funciona tão bem, não consigo pensar em nada!— Não diga isso, professor. Onde você está velho? — Kayra teve um estalo, tentando mudar de tática. — Além disso, você sabia que, desta vez, nós fomos à montanha pedir ajuda ao guardião, e eu acidentalmente encontrei uma senhora
— Agora? — Perguntou Kayra, um pouco surpresa.— Claro, se você estiver disponível, pode ser agora. Nosso carro já está esperando no térreo do Grupo Lima. Além de você, também convidamos o Sr. Cláudio.Kayra concordou por ora. Ela se arrumou rapidamente e desceu, encontrando Cláudio saindo do escritório temporário. Ambos entraram no carro do assistente de Bruno.Ao empurrarem as portas do salão, um luxuoso camarote se revelou. Bruno estava lá e, ao seu lado, uma jovem frágil, vestida luxuosamente com pesadas joias de ouro, que pareciam demais para alguém de cerca de vinte anos. Kayra e Cláudio trocaram olhares, se perguntando se ela seria a filha ou a amante de Bruno.— Presidente Kayra, Sr. Cláudio, por favor, se sentem. — Bruno se levantou educadamente, e Kayra e Cláudio se apressaram em pedir para que ele se sentasse primeiro. — Não se acanhem, hoje é só um jantar casual.Bruno se sentou primeiro, e eles também se sentaram. Querendo cortar a cortesia falsa, Kayra perguntou:— Presi
— Presidente Enrico? — Cláudio foi o primeiro a expressar surpresa.Enrico entrou e, ao ver Kayra sentada ao lado da mesa, hesitou um pouco. Contudo, seu olhar rapidamente deslizou pelo rosto dela sem pausa. Acenou para Cláudio, então levantou os olhos para dizer:— Presidente Bruno, desculpe a espera.— Presidente Enrico está tão ocupado, é uma honra que você tenha aceitado vir ao meu jantar! — Bruno se levantou e estendeu a mão, que Enrico apertou.Ambos pareciam cômicos, um alto e o outro baixo, mas exudavam uma aura dominante.— Olhem! — Depois que Enrico se sentou, Bruno disse a Kayra e Cláudio. — Eu disse que vocês se conheciam, não é? Não faz muito tempo que vocês compartilharam dificuldades na região montanhosa, certo?— Sim. — Cláudio assentiu.— Falando nisso, eu acabei de agradecer à Srta. Kayra e ao Sr. Cláudio, mas também quero agradecer pessoalmente ao Presidente Enrico. Vocês todos são benfeitores dos ciclistas e do meu Grupo Fagundes! — Bruno ergueu sua taça, falando co
Ao empurrar a porta do camarote, uma lufada de ar frio soprou, fazendo com que Kayra recuperasse parte de sua sobriedade. Ela subitamente teve um pensamento. "Bruno não me convidaria, juntamente com Cláudio, para sermos espectadores de seu encontro sem um motivo. Terá ele notado algo diferente na minha relação com Enrico e decidido nos testar? Nos eventos do centenário da família Oliveira e nas competições na Montanha Desolada, cada vez que Bruno concentrava sua atenção, Enrico estava lá para me proteger. Pensando assim, provavelmente esse era o plano de Bruno. Se ele descobrir que minha relação com Enrico é boa, talvez Bruno tenha outros planos. Se ele considerar uma aliança matrimonial entre sua filha e o Grupo Ramos, é possível que ele me ataque secretamente." Com essa compreensão, Kayra se sentiu menos angustiada. Ela se apoiou na parede do lado de fora da porta para se recuperar por um momento e, quando estava prestes a voltar, a porta do camarote se abriu.Kayra levou um susto
O rugido dos motores ecoava do lado de fora da janela do carro. Cláudio e Kayra olhavam para fora, sem saber quem poderiam ter ofendido. O motorista, alerta, girou rapidamente o volante e pressionou o acelerador até o fim. Aproveitando uma oportunidade, desviou o carro para outra rua, acelerando ainda mais. No entanto, o carro que estava temporariamente atrás logo os alcançou, persistindo na perseguição e até tentando ultrapassá-los.Kayra segurou firmemente a alça acima de sua cabeça, observando atentamente até perceber que era o carro de Enrico! Ela rapidamente disse ao motorista:— Pare o carro, eu reconheço aquele veículo.O motorista, aliviado, reduziu a velocidade, e o carro atrás deles realmente aproveitou a chance para ultrapassar e bloquear a frente. A porta do carro se abriu rapidamente, e Enrico desceu, caminhando em direção ao carro deles, tentando não expor seu relacionamento na frente de Cláudio e do motorista. Kayra também desceu rapidamente para encontrá-lo.— Você
O tempo no banho parecia passar tanto rápido quanto devagar, de maneira incerta. Kayra, com a cabeça fervendo, revivia o diálogo que acabava de acontecer, refletindo sobre como o álcool realmente eliminava quaisquer temores... Após um período indefinido, finalmente vestiu o roupão, ajeitou os cabelos molhados e saiu do banheiro.Lá estava Enrico, casualmente envolto em um robe de dormir de padrões discretos, com o peito parcialmente exposto, sentado no sofá de maneira relaxada e descompromissada, à espera dela. Ao vê-la parada, ele se levantou e caminhou até ela, gentilmente afastando os cabelos molhados de seu rosto para revelar as suaves curvas de seu perfil.A garganta de Enrico se movia enquanto ele, incapaz de resistir, se aproximava da delicada orelha dela, respirando sobre seu cabelo e ouvido. Um arrepio elétrico percorreu a base de sua espinha, fazendo ela estremecer involuntariamente. Seus olhos estreitos brilharam e ele se inclinou de repente, prestes a beijá-la, quando o
— O que houve? — Perguntou Kayra. — Há algo errado?— Este perfume é realmente totalmente artesanal? — Rafael, incapaz de conter sua curiosidade, aproximou o frasco, cheirando-o atentamente.— Eu disse que você se interessaria! Tive a mesma reação quando vi o sachê pela primeira vez. — Explicou Kayra. — Na montanha, existem apenas quatro casas e um pátio, e de vez em quando, animais selvagens aparecem. A velha senhora não possui ferramentas profissionais, talvez tenha apenas sua habilidade manual.— A base de sua perfumaria provavelmente não é inferior à minha. — Suspirou Rafael. — É realmente um desperdício que uma pessoa com tanto talento viva nas profundezas das montanhas...— Na verdade, não é bem assim. — Discordou Kayra da opinião de Rafael. — Ela sustenta dois filhos com sua arte e sua família vive feliz. Ter talento não significa necessariamente alcançar fama e sucesso.Rafael acenou com a cabeça, concordando plenamente.— Quando saí, prometi que enviaria um conjunto de ferrame
A porta lateral do escritório de Enrico se abriu, e os assistentes apressadamente escoltaram Solange para fora, parecendo temer que Kayra a descobrisse. Eles se posicionaram perto da sala de visitas, com dois assistentes bloqueando a passagem de Solange. Kayra, por dentro, sorriu friamente."Uma reunião? Do tipo que até a Solange participa?"Ela olhou novamente para o celular e viu o menu. Havia escolhido todos os pratos preferidos dele, e os cantos dos lábios de Kayra subitamente se curvaram num esboço frio.Seus olhos brilharam, e ela pegou o celular com determinação para ligar de volta para o número do restaurante:— Olá, vocês já começaram a preparar o pedido que fiz há pouco?— Senhora, seu pedido já está pronto para entrega, chegará em cerca de dez minutos. — Respondeu o atendente, cortesmente.— Então, por favor, me traga alguns pacotes extras de tempero. — Disse Kayra, mantendo a voz calma.— Claro, de qual sabor a senhora prefere?— Do mais picante possível. — Respondeu Kayra