StefanosLevantei-me da cadeira com a tranquilidade de quem tem controle absoluto da situação. A presença de Johan ali já havia sido um incômodo suficiente, e eu não pretendia dar à Submissa o prazer de ouvir mais sobre os negócios da Alcateia Boreal.Ajeitei a lapela do casaco, lançando um olhar rápido para a poça de lama que Johan deixara para trás no piso perfeitamente limpo. Ótimo. Mais um motivo para fazer a loba se lembrar de sua posição."Vamos sair. Ela ainda tem serviço a fazer," declarei, sem nem olhar para ela. "Submissa, limpe essa sujeira. Agora."Não precisei ver seu rosto para saber que ela me fuzilava com os olhos. O silêncio dela, carregado de tensão, já era suficiente para me divertir.Johan riu baixinho. "'Submissa'?" Ele arqueou uma sobrancelha. "Está curtindo uns lances diferentes, tio?"Soltei um riso curto. "Apenas uma forma de educar uma loba teimosa.""Hum..." Johan olhou para ela com um interesse contido, como se estivesse tentando entender a situação.Ela man
NuriaO cheiro metálico do sangue ainda pairava no ar. Meu sangue.Mantive o dedo preso entre os lábios, o gosto ferroso do sangue se misturando ao desespero que se espalhava pelo meu peito. Meu coração martelava contra as costelas, cada batida um lembrete de que eu não podia deixar ele ver.Então, a porta se abriu.Minha respiração travou. Ele estava perto. Perto demais.Tirei o dedo da boca rapidamente, apertando-o contra a palma da mão, rezando para que o sangramento cessasse antes que ele percebesse. Antes que fosse tarde demais.Stefanos me observava com atenção. Percepção afiada. Ele não perdia nada, não deixaria um detalhe escapar. Se ele visse... se descobrisse...Não. Eu não podia deixar isso acontecer.Já tinha vivido o suficiente sob a crueldade de um alfa obcecado pelo meu sangue. Já sabia o que significava ser tratada como um troféu. Eu não suportaria passar por isso de novo."Você se machucou?"A voz dele soou baixa, arrastada, como se já soubesse a resposta.Apertei o p
StefanosO silêncio ainda pesava no escritório, denso como um fio de lâmina prestes a partir algo ao meio.Eu precisava sair dali.Minha mandíbula estava travada, minha respiração mais profunda do que deveria ser. Minha paciência nunca foi curta, mas agora... agora eu estava à beira de perdê-la.Perdê-la para uma loba rebelde.A forma como ela me desafiava, como erguia o queixo em desafio, como cada palavra que saía de sua boca carregava aquela resistência teimosa. Isso estava me deixando louco.E o pior de tudo? Meu lobo queria tomá-la.Meu corpo ainda sentia o calor da presença dela, o cheiro intoxicante que me cercava cada vez que ela se mexia. Meus dedos coçavam para puxá-la contra mim, para testar a textura da sua pele, para ver até onde ela suportaria antes de ceder.Minha visão turvou por um instante quando me imaginei fazendo exatamente isso.Ela presa contra minha mesa, os olhos arregalados de surpresa, as unhas cravadas na madeira enquanto eu tomava o que já era meu.Maldiçã
NuriaO silêncio no escritório ainda pesava sobre mim, mesmo depois que Stefanos saiu.Seu olhar ainda queimava.Meu corpo ainda sentia o calor de sua presença, e isso me irritava profundamente.Eu deveria estar feliz por finalmente estar sozinha, mas, por algum motivo, minha mente não conseguia se afastar dele.Bufei, irritada, e voltei a esfregar a prateleira com mais força do que o necessário."Esqueça. Esqueça isso."Mas era difícil ignorar a forma como ele me cercava, como se estivesse levantando um muro invisível ao meu redor.Stefanos não era como Solon. Ele era pior.Solon tomava. Ele roubava, destruía, dilacerava, sem qualquer esforço para esconder sua brutalidade. Stefanos, por outro lado, se infiltrava. Ele me enredava, me seduzia sem nem precisar tentar.E isso era muito mais perigoso.Porque Solon nunca conseguiu alcançar nada dentro de mim.Mas Stefanos... ele fazia minha pele formigar apenas com um olhar.Eu me odiava por isso.Odiava a forma como meu corpo reagia a ele
NuriaO vestido ainda estava lá.Jogado sobre a cama, como uma maldita lembrança do que eu era agora.Eu podia sentir a presença dele queimando contra minha pele, mesmo sem tocá-lo.Uma corrente invisível.Tão cruel quanto as correntes reais que já haviam marcado meu corpo.Respirei fundo, tentando manter o controle.Mas não consegui."Que merda é essa?!" O grito escapou da minha garganta antes que eu pudesse conter.Jenna, que ainda estava ao meu lado, se encolheu no susto. "O quê? O que aconteceu?""Isso aconteceu!" Apontando para o vestido, me levantando e comecei a andar de um lado para o outro, minha frustração crescendo a cada segundo. "Eu deveria estar tocando na Orquestra Nacional agora. Meus pais deveriam estar me aplaudindo! Gael deveria estar aqui, me dizendo que está orgulhoso!"Minha voz falhou, mas a raiva não. Ela crescia, borbulhava, queimava como lava viva dentro de mim."Mas não." Meu peito subia e descia, minha respiração irregular. "Em vez disso, eu estou aqui, se
StefanosEla estava atrasada.Eu já estava no limite da minha paciência.Se havia algo que eu odiava mais do que incompetência, era desaforo.Será que eu teria que buscá-la?Cruzei os braços, os músculos tensos, lutando contra o impulso de ir atrás daquela maldita loba.Mas então, antes que eu pudesse me mover, a porta lateral se abriu.E o ar simplesmente parou nos meus pulmões.Puta que pariu.Se eu achava que Nuria já era um problema antes, agora... agora eu sabia que estava realmente fodido.O vestido que haviam colocado nela era, no mínimo, pecaminoso.O tecido escuro se ajustava ao corpo dela como uma segunda pele, desenhando cada curva, cada nuance. As transparências revelavam o vale dos seios, a linha acentuada de sua cintura, a pele macia exposta nas laterais do corpo.A deusa estava me punindo.Meu pau latejou no mesmo instante.Era impossível não olhar. E eu não era um lobo que negava a si mesmo aquilo que queria.Mas ela percebeu."Meu rosto é mais pra cima, Alfa," murmurou
NuriaAs palavras dele me atingiram como uma lâmina fria."Serão enviadas de volta às suas alcateias de origem."De volta?De volta para onde?Não havia um lar me esperando. Não havia mais nada.Minha família morreu.Minha alcateia queimou.Eu não tinha um lugar para onde retornar.E, ainda assim, ele falava com aquela maldita arrogância, como se estivesse nos dando um presente. Como se estivesse me dando uma escolha.O nó na minha garganta ameaçava me sufocar. Mas eu não choraria. Não ali.Não na frente daquelas pessoas que me julgavam.E, principalmente, não na frente dele.Respirei fundo, ignorando o olhar penetrante de Stefanos.Ele se virou para a multidão. "Aproveitem a festa."O povo respondeu com gritos e aplausos. Mas eu só conseguia ouvir o rosnado do meu próprio ódio.Stefanos entregou o microfone para o homem ao seu lado e se virou, andando até onde estávamos. As esposas de Solon."Aproveitem a festa," ele disse, sua voz fria. "Mas se tentarem fugir..." Ele fez uma pausa e
NuriaO ar frio da noite cortava minha pele enquanto eu marchava pela praça, ainda fervendo por dentro. A raiva latejava em minhas veias como um veneno.Stefanos. Maldito fosse aquele Alfa.Meu corpo ainda tremia. Mas não era medo. Era algo muito pior.Era a maldita frustração de saber que, por mais que eu tentasse, ele sempre conseguia me desestabilizar."Você não é diferente daquele lobo nojento."As palavras ecoavam na minha cabeça. Eu quis feri-lo. E feri.O problema era que, ao dizer aquilo, eu também me machuquei.Não podia negar que, por um momento, ele pareceu genuinamente furioso. Como se a ideia de ser comparado a um desgraçado qualquer realmente o tivesse atingido.Mas que diferença fazia? Stefanos era um Alfa como qualquer outro. Ele ainda nos exibia como troféus. Ainda nos tratava como peças de um jogo."Está na hora de ir."A voz de Rylan, o Beta, me tirou dos meus pensamentos.Ele me encarava com sua expressão sempre impassível, mas os olhos carregavam uma pitada de exas