A fêmea sentia o calor em sua pele, mas aquele calor não a machucava. Era como se estivesse sendo abraçada por um fogo que a aquecia por dentro, enquanto ouvia o bater de asas gigantes acima de sua cabeça. Ela se sentia em transe, sua mente em um enorme vazio, incapaz de processar o que estava acontecendo. Só conseguia sentir e ouvir. O vento contra seu rosto, o calor... Quando finalmente abriu os olhos, viu o mundo abaixo dela. O curso do rio, as florestas mergulhadas no fogo. E quando levantou seu olhar, viu Fenícia a carregando. A loba estava paralisada tentando entender, incapaz de se mover, ou proferir qualquer palavra. O vento contra seu rosto era cortante, seus cabelos voavam em todas as direções, mas ela não conseguia se concentrar em nada. Seus sentidos estavam embotados, como se ela estivesse sonhando. Ela não entendia como aquilo era possível. Mesmo confusa, sentia que não devia estar ali. Fenícia a levou para uma montanha muito alta, coberta de neve. A fême
Cinquenta anos depois. Castelo do Supremo Alfa, Sul. O macho caminhou depressa pelos corredores do castelo do supremo Alfa. James não tinha certeza de para onde iria, mas sabia que se continuasse no castelo, John certamente o forçaria a se casar. Ele cerrou os punhos, enquanto passava pelos guardas e descia a escadaria principal. Naquele momento, ele não quis se colocar no lugar de John, era verdade que desejava Helena, mas ele sabia de seu lugar. Talvez seu tempo ao lado de John tivesse chegado ao seu fim, afinal. Como John poderia querer que ele se casasse, sabendo que ele jamais poderia fazer isso? A loba que o fez desejar essa vida estava morta. Nem mesmo com Helena, que ele desejou com tanto afinco, ele se sentia capaz de tal coisa. E desejar outra não era uma justificativa para se casar. James passou apressado pelo pátio central, se dirigiu até os estábulos e selou seu garanhão de pelagem marrom. Ele colocou sua bagagem e montou no animal. Ele imaginou que, àquela alt
As mãos de James tremeram incontrolavelmente enquanto seu coração pulsava como um tambor em seus ouvidos. Seu irmão acabara de mencionar o nome dela - aquela que ele havia tentado esquecer por tanto tempo. James tentou manter a calma, mas sentiu a emoção se espalhar por todo o seu corpo como uma onda. Ele fechou os olhos por um momento, tentando controlar aquela onda sinistra que ameaçava deixá-lo de joelhos. Quando finalmente abriu os olhos, viu que Noah estava olhando para ele com preocupação. James suspirou profundamente e disse com uma tremula: — Alice está morta, há cinquenta anos. Noah suspirou e pesadamente e diminuiu a distância entre eles, James ouvia atentamente o som do coração de Noah. Ele estava regular, apesar de ver nitidamente o suor que descia pela testa do macho. Ele esfregou as mãos uma na outra e disse: — Ela está viva, não sei como, mas está. James não queria acreditar. Ele tinha passado anos sofrendo a perda de Alice, e agora seu irmão vinha dizer que
James sentiu o ar gelado da noite em seu rosto enquanto cavalgava em direção ao castelo no Norte. A chuva caía forte, fazendo com que seus cabelos se grudassem em seu rosto. Ao seu lado, seu irmão Noah cavalgava em silêncio, acompanhando-o. Os guardas seguiam atrás, estavam muito próximos agora. À medida que se aproximavam do castelo, a escuridão parecia engoli-lo. James sentiu como se estivesse sendo tragado pelo abismo de suas próprias lembranças, tão sombrias quanto o clima que os rodeava. Ele estremeceu, tentando afastar as lembranças da mente. Finalmente, chegaram ao castelo e Noah o levou direto para o Alfa. Um rosto que James pensou que nunca mais veria, no momento que viu aqueles olhos verdes frios a sua frente, sentiu um aperto no coração, um ódio que estava adormecido agora despertando. James se lembrava bem demais de tudo, quando Natanael Turner levantou o olhar da mesa com os mapas de Armeni, o clima na sala ficou sombrio. — Essa não é mais sua casa. — pronunciou
A sua frente a fêmea viu o poderoso castelo dos Coltrane, um dos que falta para ela eliminar. Desde que retornara ela havia convocado o exército de rebeldes para derrubar os clãs que mais escravizaram e perseguiam os rebeldes. O clã Coltrane havia massacrado todo a alcateia Harrison e agora finalmente pagariam. Alice marchava em direção ao castelo, sua determinação brilhando em seus olhos enquanto avançava rumo à batalha. Ela podia sentir a tensão no ar, a energia elétrica pulsando ao seu redor conforme os lobos rebeldes gritavam em fúria. O castelo erguia-se no alto de um morro, sua silhueta majestosa contra o céu cinzento. Ao seu lado, seu tio Asher estava pronto para a batalha, sua espada em mãos. Ela olhou em seus olhos azuis intensos, ciente de que ele havia esperado muitas décadas para finalmente exterminar o clã que os fez serem os últimos Harrison. Alice assentiu para ele e olhou para seu lado esquerdo, Henrique, mantinha seu olhar firme em direção ao seu objetivo. O
O coração da fêmea batia forte, enquanto a chuva caía ao seu redor com uma intensidade implacável. Cada gota de água que tocava sua pele parecia reforçar a conexão com James, cujos gritos profundos e dolorosos ecoavam em seu íntimo. Uma força invisível parecia tê-los entrelaçado, alimentando uma energia poderosa que a impulsionava em direção a ele a toda velocidade. Talvez fosse seu ódio por ele a impulsionando em sua direção. Enquanto cavalgava, ela podia distinguir nitidamente o som hipnótico das gotas de chuva caindo ao seu redor, como se a natureza estivesse testemunhando seu destino iminente. O ritmo frenético dos cascos do cavalo na lama ecoava em seus ouvidos, acompanhando o tumulto de emoções que percorriam seu ser. Cada batida do seu próprio coração parecia ecoar pela vastidão da noite tempestuosa, misturando-se ao tamborilar da chuva. Era uma sinfonia de sentimentos conflitantes: coragem e medo, determinação e dúvida, amor e raiva. Enquanto segurava firmemente as
Ela olhou fixamente naqueles olhos verdes intensos, cujo brilho parecia penetrar sua alma, enquanto seu coração batia descompassado no compasso da emoção que a consumia. A voz dele estava mais grave do que ela se lembrava, e de certa maneira, mais imponente. Ela começou a ficar muito consciente do peso do corpo dele contra o seu... Seu corpo, carregado de memórias que ela desesperadamente desejava esquecer, parecia se perder abaixo do dele. James, parecia o mesmo de antes, não havia envelhecido. Os traços familiares permaneciam, mas havia algo novo, uma maturidade palpável que se revelava em cada gesto, em cada palavra não proferida. Enquanto as mãos deles permaneciam segurando as dela unidas acima de sua cabeça, ela sentiu um afrouxamento sutil do aperto, como se um sinal de alívio estivesse se fazendo presente. Seu corpo inteiro estremeceu quando os dedos dele suavemente deslizaram pelo seu rosto, como uma carícia tímida que despertava lembranças adormecidas e emoções
Quando Alice subiu em seu cavalo, suas mãos tremiam enquanto segurava firmemente as rédeas. Ela se recusou a olhar para trás, decidida a deixar para trás James e tudo o que ele representava: sua voz sedutora, seu toque envolvente, o calor de sua presença. A loba cavalgou com velocidade, deixando para trás o passado que a assombrava. Cada batida do casco do cavalo ecoava em sua mente, enquanto seus pensamentos eram consumidos pelo turbilhão do encontro recente com James. A intensidade daquele momento se fundia com a imagem dos portões do castelo Coltrane, que se aproximava rapidamente. Ao chegar ao castelo Coltrane, um cenário esperançoso se apresentou diante de seus olhos. As cabeças de Ahmet e Octavia estavam penduradas nos portões, um aviso macabro do terror que se abateria sobre aqueles que se julgavam seus senhores. A visão fez com que ela se lembrasse que não poderia mais voltar atrás em suas convicções, que aquilo era o que todos eles mereciam por todos aqueles anos.