Ela expirou fortemente, endireitou a coluna e olhou para os dois.— Esse tapa de hoje eu aceito, como pagamento da dívida de terem me criado. Mas se tentar me bater de novo, veremos.— Com quem você pensa que está falando? Sou sua mãe, você fala assim comigo? — Fabiana estava furiosa. — Você acha que eu não teria coragem de bater em você? Você é minha filha, eu poderia até matá-la se quisesse.Fabiana, preocupada com sua própria imagem, sentia sua dignidade questionada e ficava enfurecida.Ela levantou a mão para dar outro tapa...Mas desta vez, Beatriz não ficou parada esperando ser atingida, e sim segurou o pulso de Fabiana.— Já disse, você não vai mais me bater. Eu não só paguei a dívida com o Afonso, como também quitei a dívida de terem me criado. Três anos atrás, saldei tudo completamente! Se querem pagar dívidas, sejam servis ao Afonso, isso é problema de vocês, não me envolvam! Fiquem na Capital o tempo que quiserem, eu não vou me intrometer, não gastarei um centavo, nem os ve
Hugo foi até lá logo cedo no dia seguinte, não procurou pela recepção, apenas sentou na área de descanso.Com as mãos cruzadas sobre o topo da bengala, exibindo uma postura imponente.Eloy e Fabiana sentaram-se atrás, observando nervosamente a entrada.Ao pé deles havia um cartaz, com letras em vermelho sangue dizendo:【A ingrata Beatriz Rocha, após ascender socialmente, nega pai, mãe e irmão, sendo considerada desonrosa!】Havia muitas pessoas chegando para trabalhar pela manhã, todas passavam olhando curiosas para os três.A recepção ligou para Daniel.Beatriz falou calmamente. — Se eles preferem sentar, que fiquem sentados.Ela e a família Rocha já não tinham mais nada para conversar.— Mas, e o cartaz... — a recepcionista hesitou.— Deixe-os subir. — Daniel falou.— Não se preocupe com eles, essa é a maneira deles de me ameaçar, se eu...— Bia, não quero que ninguém manche sua reputação.Beatriz abriu a boca para falar, mas no final, não disse mais nada.Mas, a família Rocha não s
A grande dívida que tinha para com a família Silva era tão imensa que mesmo se despedaçasse, não conseguiria retribuir!Por isso, ela sempre cedia, mesmo em discussões não ousava defender seu ponto de vista, sempre optava por ceder, tornando-se sem temperamento algum. Por isso, quando Afonso a abandonou, foi como se descartasse um pano de limpeza velho, sem a menor hesitação.Tão servil e muda, como poderia se comparar ao amor não correspondido do início.Ela era tão comum que Afonso nem percebia sua importância.Ela era obediente em casa, uma boa filha e irmã, sem nunca retaliar contra o tratamento frio que recebia, fazendo com que achassem que sua submissão era merecida.Agora, ela não recuava mais, pelo contrário, era vista como a pior das criminosas!— Mesmo sem Daniel, eu não quero mais ser uma peça manipulada pela família Rocha! — Ela endireitou a coluna, pausadamente.— Você se rebelou, realmente se rebelou. Se não fosse por nós, como você teria crescido, você comeu do meu, uso
Beatriz ordenou, palavra por palavra, com uma determinação nunca vista antes.A família Rocha, de três membros, ficou pálida, porque ela não parecia estar brincando.Daniel acenou com a cabeça e imediatamente chamou Lucas.— Não deixem de fazer, notifiquem os auditores para checar as contas da família Rocha, eu não acredito que as contas deles estejam tão limpas.Sempre haverá um motivo para mandar Hugo para a prisão.— Até logo, façam o escândalo que quiserem.Beatriz acenou levemente com a mão, parecendo estar de bom humor, e então se afastou elegantemente.Os três não conseguiram dizer uma palavra sequer, tinham vindo cheios de confiança, mas agora estavam completamente perplexos.Quando ela se foi, os três finalmente voltaram a si.— Pai... ela, ela não faria isso, certo? Nossa irmã não seria tão cruel...— Se eu soubesse, nunca teria tido essa filha!Hugo estava furioso, rangendo os dentes.Fabiana estava enxugando as lágrimas.— Na verdade, eu acho que a nossa filha não fez nada
— Onde está a Beatriz, escondida assistindo a tudo isso? Faça essa filha rebelde aparecer.— Desculpe, não entendo o que você está dizendo, por favor, coopere com nosso trabalho.O outro permaneceu sério, muito formal.— Beatriz... Beatriz...Hugo foi levado à força, pois sua falta de cooperação exigiu medidas compulsórias.Isso assustou Fabiana e Eloy, que ficaram desorientados, correndo para os departamentos relevantes, mas nem conseguiram ver Hugo.Eloy tentou procurar Afonso, mas foi expulso da Vila Silva.Sem ter a quem recorrer, ele teve que engolir o orgulho e procurar Beatriz, mas ela também se recusou a vê-lo.Ela não tinha resistência e desmaiou, sendo levada ao hospital.Ele tentou usar o cartão, mas o dinheiro na conta bancária estava congelado, era o cartão de crédito do seu pai.Ele só podia usar o seu próprio dinheiro guardado para proceder com a internação, mas nunca havia pensado seriamente em trabalhar para ganhar dinheiro, nem tinha a consciência de economizar.Gasta
Fabiana finalmente entendeu as dificuldades de Beatriz, elas eram as beneficiadas, como poderiam julgá-la? Que direito tinham?Beatriz sofreu tanto.A situação atual nem se compara à de três anos atrás, quando seu filho já havia desistido delas, escolhendo se esconder.Mas três anos atrás... sua filha correu por toda parte, até se sacrificou para juntar dinheiro para medicamentos e médicos. Para tentar reverter a situação do pai. Cuidando de um irmão apenas alguns anos mais novo, garantindo que ele tivesse o necessário.A família se reuniu, apenas agradecendo a grande bondade da família Silva, achando que ela tinha sorte por se unir a Afonso, nunca considerando quanto ela sofreu. Eles verdadeiramente falharam, não mereciam ser pais.Beatriz ficou em silêncio, sem responder.Um pedido de desculpas tardio... realmente tão insignificante quanto a grama.Sem experimentar por si mesmos, talvez nunca entendam.— Sra. Fabiana, minha condição é cortar completamente os laços com a família Rocha
Mas ela ainda estava incerta, afinal, se até seus pais puderam abandoná-la, que dirá um estranho sem laços de sangue.Ela se esforçou muito para acreditar, mas ainda havia negação em seu coração.Beatriz expirou profundamente.— Estou cansada, quero descansar um pouco.— Claro, descanse.Ela se aninhou no sofá, adormecendo inquieta.Seu sono era perturbado, franzindo a testa de tempos em tempos.Ele sentia muita pena dela, beijando sua testa suavemente.Independente do que acontecesse, ele estaria ao lado dela.Nos últimos dias, Beatriz tentou ao máximo não ser afetada pelo mundo exterior, focando em suas próprias coisas.Fabiana não aguentou nem meio mês, desde a sua hospitalização até Hugo ser preso, foram apenas dez dias.Fabiana a encontrou, já fazia um dia que não comia.Ela experimentou pela primeira vez a sensação de impotência sem dinheiro, sem poder ir a lugar algum, sem um ponto de apoio.— Há três anos, tudo que eu sabia era que fiquei um mês no hospital, o pior era comer as
Hugo finalmente viu a luz do dia, desde o início confiante de que sua esposa e filho certamente viriam resgatá-lo, confiante de que Beatriz não ousaria mantê-lo preso por tanto tempo.Todos os dias ele se preparava para sair, mas dia após dia, via pessoas sendo libertadas sob fiança, enquanto ele enfrentava intermináveis interrogatórios.Ele começou a ficar irritadiço e rebelde, mas isso não adiantava, acabou sendo repreendido pelas pessoas na prisão, e só então ele se acalmou.Depois, ele começou a cair em um desespero sem fim, lembrando-se dos dias na prisão.Que horas levantar, que horas comer, os cobertores tinham que estar bem dobrados, tinha que trabalhar na pedreira transportando pedras.Também tinha que se encolher num canto, sujeito à intimidação dos companheiros de cela.Dias assim, mais um dia era insuportável.Ele estava ansioso para sair, sabia que tinha sido injustiçado.Quando finalmente saiu da prisão, também agradeceu à sua filha, mas logo seus amigos começaram a zomba