— Não era uma receita para ter filhos? Como agora é para recuperar a saúde? — A tia fingiu confusão com malícia.Débora ficou imediatamente paralisada.— Vou ver como está a sogra, vocês, jovens, conversem. Somos todos da mesma família, sem cerimônias.A tia usou isso como desculpa para sair, deixando apenas as duas no salão.Beatriz estava tranquila e aberta, enquanto Débora se sentia culpada e extremamente desconfortável.— Beatriz, você não sabe evitar conflitos? Afinal, este é a casa da avó de Afonso, por que você vem aqui tão frequentemente? Você diz que não está interessada em Afonso, mas o que mais você faz? Usa de todos os meios para chamar sua atenção! Você só finge ser generosa, mas na verdade é mais mesquinha que qualquer um. Você sabe que não pode tirar Afonso de mim, então usa esses métodos para nos provocar, certo?Ao ouvir isso, Beatriz quase riu de indignação.Esse casal sempre tão confiante em si mesmo.— Eu estou visitando a Vila Silva, por acaso? Eu vim visitar a fa
Beatriz olhou friamente para Afonso.— Você já me acusou injustamente uma vez, vai fazer isso de novo?Afonso estava prestes a dizer algo quando, de repente, ao ouvir essas palavras, toda a sua fala se calou na profundeza de sua garganta.Débora, com raiva, apontava para o seu nariz.— Desta vez, foi claramente você quem me empurrou de propósito.— E por qual razão, eu te empurraria? O celular é algo privado, por que você estava com o meu celular?— Você estava enviando mensagens para o meu marido, que descaramento!— Afonso, você ouviu, ela pegou meu celular sem permissão, querendo ver nossas conversas. Ela pode querer me monitorar, mas que não mexa no meu celular, que mexa no dela. Eu não tenho nada a esconder, Afonso, no fundo você sabe se eu alguma vez te seduzi!Após dizer isso, ela subiu as escadas sem olhar sequer para Afonso.Quando ela passou por ele, Afonso quase que instintivamente tentou segurar sua mão.Mas ele não fez nada, pois a Beatriz de agora não tinha mais nada a ve
Débora encontrou seu olhar, relutante, mas naquele momento, ela não conseguiu recusar.Ela estava insatisfeita que Beatriz e Daniel estivessem juntos, que tivessem um casamento melhor que o dela.Insatisfeita que o Grupo Silva ficasse para trás do Grupo Dias, por que o Grupo Silva tinha que ser inferior?Ela ainda não tinha ouvido Beatriz se ajoelhando para implorar, admitindo a derrota, que era inferior a ela.Ela estava insatisfeita...Débora concordou superficialmente, mas por dentro, ela estava pensando em como lidar com Beatriz.Beatriz não havia dito que desprezava ser a outra?No entanto, agora Daniel e Charlotte estavam noivos, um fato bem conhecido entre todos. Isso não fazia de Beatriz a outra na situação?Se a mídia descobrisse...Beatriz foi visitar a vovó e aproveitou para jantar na família Costa à noite.Daniel tinha um compromisso naquela noite, mas ainda assim fez questão de aparecer.— Você não estava ocupado esta noite?— Eu temia que, se não comparecesse ao jantar, a
Eles conseguiam se satisfazer mutuamente antes, mas desde que ela soube que Daniel era a pessoa daquela noite, um grande trauma psicológico a impedia de avançar mais.Ela queria superar o medo, tentar... tentar algo mais com ele.Ela se convencia continuamente.Naquela situação, Daniel também estava sem escolha.Se tivesse outra opção, ele nunca teria seguido aquele caminho; ele era diferente dos outros.Ele a enganou depois, também pensando em seu bem...Ela lutava para controlar suas emoções, movendo a mão para baixo.Suas mãos tremiam incontrolavelmente.Sua face ficava cada vez mais pálida.Quando estava prestes a tocar nele, Daniel segurou sua mão firmemente.Ele levantou os olhos, um olhar infinitamente terno em seu rosto.— Não precisa se forçar.— Eu... eu preciso superar isso.Ela começou a tremer, os dentes batendo uns contra os outros, apesar do clima abafado, sentia seu corpo cair em uma geladeira, gelado até os ossos.— Se não superar, tudo bem, só de você prometer ficar a
Uma mulher nas mãos de sequestradores, qual será o seu destino? Beatriz Rocha estava vivenciando esse pesadelo. Aquele grupo queria transformá-la em uma prostituta.Ela estava vendada e com a boca selada por fita adesiva, amarrada em um canto como um animal. Seu corpo estava coberto de cicatrizes, sem um pedaço de pele intacto. A corda que a prendia era curta, tinha menos de um metro. Se ela se movesse um pouco mais para a frente, a corda apertaria seu pescoço. Várias vezes, Beatriz lutou inutilmente, ficando sem ar, o rosto roxo, a voz sufocada.Ela não podia escapar...Do lado de fora, ela ouvia os sequestradores xingando furiosamente. Eles tentaram violentá-la, mas ela reagiu mordendo a garganta de um deles. Se tivesse um pouco mais de força, teria quebrado sua traqueia, matando-o.Por isso, Beatriz foi brutalmente espancada e amarrada ali. Drogada, sua resistência foi reduzida a quase nada.De repente, lá fora, algo aconteceu. O barco em que estavam colidiu violentamente, e ela cai
Aquele era um clube que Afonso frequentava, onde ele costumava beber com os amigos.A razão dizia para Beatriz não acreditar nas palavras do chefe dos sequestradores, que tudo era mentira. Mas seu corpo, fora de controle, queria verificar. Ela esteve ao lado de Afonso por três anos e sabia o número da sala privativa que ele frequentava. Foi diretamente para lá.— Afonso perdeu, o que vai ser, verdade ou desafio?— Verdade.— Então, quem é a mulher que você mais ama no seu coração?— Isso ainda é uma pergunta? Claro que é Débora.Beatriz estava do lado de fora, ficando cada vez mais pálida. Suas pernas ficaram pesadas como chumbo, e suas mãos pairaram no ar, incapazes de bater na porta por um longo tempo. Depois, parece que eles começaram outra rodada do jogo. Desta vez, Débora foi quem perdeu.— Cunhada perdeu, então, você escolhe verdade ou desafio?— Desafio.A voz da mulher era suave como água.— Então beije um dos homens aqui por três minutos.— Ah, não brinque assim.Débora estava
Daniel estendeu a mão, com dedos bem definidos e a palma larga. Ao ouvir a voz dele, Beatriz ficou paralisada no lugar, incapaz de se mover.Nesse momento, o delinquente, embriagado, correu em direção a eles. — Você é cego? Não vê que estou aqui? Acredita se eu disser que vou te bater...Daniel não disse nada. Apenas passou o guarda-chuva para ela e chutou o delinquente.Ele pegou o celular e fez uma ligação, e a polícia local chegou imediatamente.— Este homem estava assediando uma mulher. Provavelmente é um criminoso habitual. Levem-no para a detenção para um aviso.— Claro, claro, vamos cuidar disso.Os policiais foram muito educados e levaram o homem embora.Nesse meio tempo, Beatriz deveria ter corrido, mas suas pernas não obedeciam, e ela permaneceu paralisada. — Posso te levar para casa?— Quem é você, afinal? — Ela perguntou, tremendo.— Sou um ex-colega de escola do Afonso. Éramos bastante próximos. Agora, estou aposentado, sem emprego fixo.— Você era policial antes?Daniel
Daniel estava ao telefone e não a notou.— Certo, vou fazer compras com você no fim de semana.— Estou dirigindo agora, não posso falar ao telefone...— Sim, sim, tudo do seu jeito.Daniel tinha uma imagem muito rígida, falava de maneira direta e cheia de vigor. Mas, naquele momento, ele falava de maneira gentil e até sorria, o que suavizava a aura intimidadora que emanava. Ele provavelmente estava falando com uma garota de quem gostava, e como alguém que respeitava muito a lei após se aposentar, não falava ao telefone enquanto dirigia.Beatriz sentiu como se tivesse encontrado um salvador e começou a bater freneticamente na janela do carro.Daniel franziu a testa e abaixou o vidro.— Hm? — Um leve tom de dúvida. — Vou desligar agora, algo surgiu. Na próxima vez, você decide o castigo.Pareceu que ele acalmou a outra pessoa antes de finalmente desligar.Daniel apenas olhou para ela de dentro do carro, sem abrir a porta.— Algum problema?— Você poderia me levar a um hotel? Não é fácil