Foi Kelly quem acordou primeiro no dia seguinte, levantou-se e foi fazer um café. Os dias no paraíso haviam acabado, daqui a poucas horas eles deveriam arrumar as malas e ir para o Aeroporto. Seu vôo estava marcado para as três da tarde. Kelly não sabia ao certo como as coisas seriam a partir de agora. Ela e Andreas não haviam prometido nada um ao outro, porém ela tinha expectativas. Como falaria disso com ele é que estava a deixando maluca. Não tinha o direito de exigir nada dele, ele já havia feito demais por ela. O certo era deixar ele bem a vontade para seguir sua vida, como ele desejasse sem se sentir preso, ou sentir que tinha alguma responsabilidade sobre ela. Agora que ela estava bem e curada, que tinha um coração novo, não podia deixá-lo ser partido outra vez.
Kelly chegou à casa de Céu, e achou o ambiente bem conservado para um lugar que ficou sete meses fechado. Alguém com certeza havia cuidado do lugar. Era uma casa simples, mas muito confortável, com tudo que era necessário. Nem teve tempo de avisar à amiga que estava indo para lá. Ligou a geladeira e resolveu achar um mercado para comprar algumas coisas. Quando voltou para casa ligou para Céu. – Oi, achei que você já estivesse dormindo. – Oi, na verdade, não estou nem perto. Te liguei para avisar que vim aqui para a sua casa. Já estou instalada e com a geladeira cheia, essa TV da sala é maravilhosa, diga-se de passagem. O sofá também. – Como assim, Kelly, fazem poucas horas que fui te buscar no aeroporto e te deixei em casa com o seu marido. Eu queria saber como uma viagem de lua de mel termina em separação. Kelly sentou no sofá, exausta. Queria apenas um banho e dormir, mas devia algumas explicações à amiga. – Céu, é tudo muito complicado. Você sabe que eu vir para cá, era a ideia
Kelly chegou ao prédio de Andreas já eram quase nove horas da noite. Devia ter avisado que viria, de qualquer forma ainda tinha a chave reserva, que inclusive havia se esquecido de devolver a ele. Quando chegou à porta do apartamento bateu, e em seguida ouviu passos que vinham atender. Porém, quem abriu a porta não foi Andreas, e sim Melissa. A mulher estava deslumbrante como sempre, em um vestido que Kelly pensou novamente ser demais para qualquer que fosse a ocasião ali.– Que surpresa - a mulher falou. - Andreas me disse que você havia ido embora.Ela precisou b
Andreas descobriu por João Vicente que Kelly iria trabalhar no bar do Jão, que ficava próximo à casa antiga da Maria do Céu. Decidiu ser um bom plano começar por lá. Levou toda a noite depois que o amigo fora embora do escritório, pensando no que faria de sua vida. Teria que ir atrás dela de qualquer forma, havia se imaginando vivendo o resto da vida longe dela e definitivamente, aquilo não era uma opção. Depois do expediente na firma, apenas passou em casa para tomar um banho e trocar de roupa e foi em direção ao subúrbio. O ambiente do bar era bem acolhedor, muito simples. Havia um conjunto de samba tocando, para alguns clientes. Kelly deixou que Andreas dormisse até tarde no dia seguinte, quando ele acordou estava se sentindo miserável. Tinha uma forte dor de cabeça e sensação de secura na boca. Parecia que um caminhão havia passado por cima dele.– Acordou pé de cana.Ela disse bem próxima ao ouvido dele.– Por favor, só não grita comigo.Ele implorou, achando que sua cabeça iria explodir.– Eu não estou gritando, é todo esse álcool no seu corpo que está falando “Bebe mais da próxima vez". Vamos, eu preciso sair, se você não estiver bem para dirigir pega um carro de aplicativo.Ele afastou as cobertas e foi se levantando e sentando no sofá.– Nossa, como você é gentil e receptiva com os seus hóspedes.– Você não é meu hóspede Andreas, nem mCapítulo 26 - Jamais serão o 4° príncipe
Durante a semana, Andreas não apareceu no bar. Kelly conseguiu os dois dias de folga, pois Jão tinha uma moça que chamava esporadicamente, mas que não tinha interesse em trabalhar todos os dias.– Vai ser até bom, desde que eu te contratei não chamei mais ela, deve estar querendo um dinheiro extra.– Eu não queria ter que fazer isso, mas eu não consegui dizer não a ele.Kelly havia contado sem entrar em detalhes a história d
Kelly entrou primeiro quando ele abriu a porta, pegou um pijama e a escova de dente e foi direto para o banheiro. Pensou muito sobre o que usar, já que era óbvio que teriam que dividir o mesmo quarto e a mesma cama. Sentiu-se muito tentada em colocar o pijama dos ogros, mas não se sentia com ânimo para afrontá-lo naquela viagem. Só queria passar por aquilo da maneira mais calma possível. Resolveu colocar o pijama de renda preto e rosa. Era mil vezes mais neutro que a camisola verde, não que pudesse ser considerado decente. Quando ela saiu do banheiro, ele estava checando mensagens no celular, lhe dispensou uma olhada rápida de avaliação e foi ele mesmo lá para dentro do cômodo. Não demorou nem cinco minutos e voltou para o quarto, Kelly já estava deitada e coberta quase até o pescoço. Ele sentiu que ela estava tensa e tentou tranquilizá-la.– Não precisa ficar preocupada, eu não vou tentar nada.Ela ficou em silêncio por um momento e então respondeu falando pausadamente.– Não é com v
A bebe não demorou a nascer e foi para a UTI neonatal. O pediatra garantiu que ela estava bem, que o peso não era de uma criança prematura, mas que ficaria em observação apenas para terem certeza que seus pulmões estavam totalmente formados. A cirurgia de Céu demorou um pouco mais, o que os deixou muito apreensivos, mas ao final o médico veio e disse que ela estava estável e havia ido para recuperação. Nesse momento todos puderam respirar aliviados, e Kelly abraçou João, que estava à beira de um colapso nervoso. Algumas horas depois, Maria do Céu foi para o quarto e eles puderam vê-la.– Que susto a senhora nos deu. Está proibida de fazer isso outra vez. - Kelly disse se aproximando da amiga.– E a bebe? - Foi à primeira coisa que Céu perguntou.– Ela está bem. É uma garotinha muito saudável, e linda, igual à mãe dela. — João respondeu segurando sua mão. - Mas não podemos ficar a chamando de bebê a vida toda, você precisa se decidir por um nome Céu.– Eu já decidi. O nome dela vai ser
– Eu já estou cansado de meias-palavras Kelly, nós estamos juntos ou não estamos? Vamos ficar juntos ou não vamos? Eu não quero mais viver nessa inconstância! Em uma hora parece que estamos bem, e em outra você surta e vai embora, dizendo que vai dar para o primeiro que passar na rua.– Andreas, não foi exatamente assim que eu disse, você está distorcendo minhas palavras. Eu disse que faria uma placa! E, além disso, não pode atribuir a culpa dos meus surtos somente a mim, você sempre teve alguma parcela de culpa. Desde que a gente se conheceu parece que você desenvolveu o incrível dom de me enlouquecer. Às vezes eu nem sei o que é maior, a minha vontade de te matar ou a de ficar nua embaixo, ou em cima de você. Isso enlouquece qualquer mulher, parece que eu estou constantemente de tpm.Ele riu com o desabafo de Kelly.– Eu ach