Sílvio suspirou, ciente de que o dia de Carlos e Ana chegaria, mas não imaginava que seria tão breve.Novamente, Sílvio suspirou:- Se realmente não deseja ficar noivo, posso te ajudar.- Síl, não seja ingênuo. Pode me ajudar agora, mas não eternamente. - Carlos falou com um sorriso amargo, resignado. - Sei exatamente do que sou capaz.Sem as habilidades de Sílvio, a melhor opção para ele era obedecer.- Isso é realmente uma pena.Afinal, era uma questão pessoal de Carlos, cuja família diferia da de Sílvio. Este, conhecendo as dificuldades e resignações daquele meio, não insistiu mais.- O que é uma pena?- Uma pena que acabei de alugar um apartamento para você, ao lado do meu, esperando que pudesses cuidar um pouco de Lívia, mas agora... - O homem se mostrava visivelmente desapontado.Carlos ficou tão exasperado que quase o agrediu.- Ainda se preocupa com esse insignificante aluguel em um momento desses? Deviria estar contente por eu estar pagando!Só pensava no seu amor!À medida q
Neste momento, quanto menos falasse, melhor. Fingir ignorância era a opção mais sensata.Sílvio suspirou, como se nunca nada na vida o tivesse desafiado tanto, mas agora Aurora e Lívia realmente o davam a sensação de estar em um beco sem saída.Desse beco, ele precisava encontrar uma saída.Caso contrário, os três ficariam presos ali eternamente.- Aurorinha - Sílvio se sentou ao lado da cama. - Sua ferida no rosto está doendo?- Está doendo - Respondeu ela, sentindo que a preocupação dele permitia que a tristeza reprimida em seu coração finalmente encontrasse uma válvula de escape. - Mas não culpo a irmã, sei que a questão dos bebês sempre foi um obstáculo em seu coração.Sílvio não comentou, apenas baixou os olhos e falou:- Eu também tinha prometido cuidar da sua garganta, mas recentemente não consegui me concentrar em encontrar um médico para você, por isso ainda não se recuperou.Ele reconhecia sua negligência.Pela primeira vez, Aurora sentiu uma dor profunda.Uma dor que o homem
Sílvio falava com palavras cortantes.Ele sempre foi assim, nunca poupando os sentimentos alheios em suas falas.Às vezes, mesmo se sentindo frágil por dentro, suas palavras podiam ser tão afiadas quanto espinhos.Agora, ele estava diante de Aurora.Ele tinha plena consciência de sua situação.A condição de Aurora não era suficiente para despertar sua piedade por uma mulher.A piedade, muitas vezes, criava uma ilusão de amor.Ele sabia que amava Lívia e, por isso, não daria a Aurora nenhuma chance de ilusão.- A última vez que poupei sua vida foi para retribuir o favor de você ter me salvo.Aurora olhava para Sílvio incrédula, com os olhos arregalados e a boca quase formando um círculo.Depois de conhecer Sílvio por tantos anos, parecia que ele estava cada vez mais lúcido em relação a ela.Ela já não via mais entre suas lágrimas.Aurora teve que admitir que sua posição no coração desse homem estava diminuindo cada vez mais.Ela começou a temer as consequências de suas próprias ações.M
A pessoa que ela tanto lutou para salvar, seria mesmo um homem que não se importava nem com sua própria família?Mas...Ela sorriu amargamente.Por que ela estava ali?Para ouvir Sílvio declarar seu amor por Aurora?Pessoas tendenciosas sempre seriam assim.Ela não tinha visto exemplos suficientes disso nos pais da família Lopes?Por que, por uma pequena dívida de gratidão, ela deveria tentar fazer Sílvio reconsiderar tudo entre os três?Seu estado de espírito era exatamente o mesmo de quando Ana a levou à varanda para ver Sílvio e Aurora.Igualmente terrível.Igualmente doloroso.Tão doloroso que ela não queria ver, pensar ou se comunicar.Felizmente, ela ainda não havia entrado.Se tivesse entrado e contado a Sílvio sobre a dívida de salvar sua vida, provavelmente teria recebido apenas humilhação.Todas as promessas que ele fez, todos os juramentos, eram apenas para o momento!Tudo deveria ser esquecido!Ela definitivamente não deveria ter esperanças!Caso contrário, ela estaria se p
- Qual é o problema? - Helena ainda olhava para ela com raiva.Parecia que elas nunca foram mãe e filha, mas sim inimigas mortais.Lívia se sentia ainda mais fria sob aquele olhar, mordeu o lábio, prestes a falar, mas viu um lampejo de pânico no rosto de João. Ele, subitamente, levantou a mão e deu um forte tapa em si mesmo, mais forte do que o que Lívia havia dado.Com o rosto marcado pela mão, ele olhou para Lívia:- Lili, papai está pedindo desculpas, é culpa do papai, eu não deveria...- Não deveria o quê? - Lívia interrompeu com uma pergunta incisiva.- Não deveria ter desenterrado o túmulo dos seus filhos...Ele não conseguiu terminar a frase e seu corpo já estava tremendo.Com um som estrondoso, ele subitamente se ajoelhou no chão, batendo a cabeça repetidamente diante de Lívia.- Por favor, eu imploro. - O homem, sempre preocupado com a própria imagem, agora estava prostrado aos pés da filha que menos respeitava. - Por favor, me perdoe, papai errou, papai errou!- Se levante!
Lívia, ao ver essa reação, sorriu ainda mais friamente.Ela não respondeu às palavras de Helena, mas continuou por conta própria:- Ou você quer que eu perdoe João por ter desenterrado o túmulo dos meus filhos? Ou quer que eu perdoe a frieza com que vocês me receberam quando eu fui reconhecer os parentes? Ou talvez, você queira que eu perdoe vocês por tentarem me casar com aquele velho da família Monteiro? Ou seria o perdão pela escolha que vocês fizeram entre mim e Aurora?Como eles ousavam pedir que ela perdoasse tais atos!- Perdoar ou não perdoar? - As perguntas em sequência fizeram a cabeça de João balançar como um tambor. - Lili, se você estiver feliz, perdoar ou não não importa, mas papai espera que você não fique brava, não vale a pena estragar a saúde por pais como nós.A atitude dele hoje era uma reviravolta de 180 graus.Lívia o observou por vários momentos, mas não conseguiu entender o motivo da mudança de atitude dele.- Você realmente não espera meu perdão, só quer que eu
João arregalou os olhos.Ele havia mostrado o registro de chamadas a ela com um propósito diferente!Queria que Lívia se lembrasse bem dele, saber que ele se sentiu culpado e tentou a avisar, mas não esperava que Lívia fosse tão implacável, associando isso ao momento da última ligação deles.Ou seja, quando Lívia se preocupava com ele, ele estava fazendo algo terrível com os filhos dela...- Não era minha intenção. - João rapidamente se deu conta e tentou explicar a Lívia com urgência. - Foi tudo ideia da Aurora, naquele dia...- Aquele dia será a última vez que eu te considerarei como meu pai de verdade. - Lívia fechou a mão em punho, as unhas cravando na palma da mão, falando com aparente calma a João a última advertência.Por dentro, se sentia como se estivesse sendo espetada por agulhas.Ao ouvir isso, o rosto de João empalideceu e a mão que segurava o celular tremia.Aurora já estava desfigurada e conquistar o coração de Sílvio se tornou ainda mais difícil.Isso fez João se decidi
Dizendo isso, ela lançou um rápido olhar para trás, e logo alguém trouxe um monte de suplementos nutricionais.Helena, os segurando, passou friamente ao lado de Lívia.Que irônico.Lívia observava sua silhueta, com um sorriso amargo nos lábios.Imaginava que Helena fosse parcial, mas nunca pensou que seria a esse ponto.Mesmo depois de esclarecer a questão do seu desaparecimento, Helena ainda agia como se nada tivesse acontecido!Realmente...Que coração cruel.Diante desses pais, Lívia se sentia inferior.Mas ainda assim, queria ver, ver se Helena teria um momento de arrependimento e compaixão, se voltaria para olhar ela ao menos uma vez.Então, Lívia a seguiu.Até os ver entrar no quarto de Aurora com aquele monte de suplementos, ela finalmente voltou ao seu próprio quarto.Não havia mais esperança.Afeição familiar e amor, para ela, eram as coisas mais cruéis deste mundo.Sentada à beira da cama, Lívia se lembrou da foto que Enzo a deu e sorriu amargamente.Ela não iria reconhecer S