O silêncio da casa de Aurora era quase ensurdecedor. Depois do que acontecera entre ela e Darius, sua mente se recusava a encontrar descanso. Sentada na beira da cama, ela sentia a respiração pesada, os lábios ainda formigando do beijo feroz que haviam compartilhado.Ela deveria sentir raiva.Deveria odiá-lo por invadir sua vida, por não lhe dar espaço, por confundi-la de maneiras que ninguém jamais havia feito.Mas, em vez disso, ela sentia falta.Falta do calor de seu corpo.Falta da maneira como ele olhava para ela, como se ela fosse algo precioso e, ao mesmo tempo, perigoso.E isso a deixava furiosa consigo mesma.Seus dedos apertaram os lençóis enquanto tentava encontrar alguma lógica na situação. O vínculo entre eles era poderoso, mas será que era só isso? Será que seu corpo estava reagindo apenas ao chamado da ligação sobrenatural, ou havia algo mais ali? Algo mais profundo… algo que ela temia reconhecer?Antes que pudesse afundar ainda mais em sua confusão, um som do lado de f
A lua estava alta no céu quando Aurora decidiu sair de casa para clarear a mente. Depois da noite intensa com Darius, seus sentimentos estavam um caos. Seu corpo ainda carregava a lembrança do toque dele, do calor, do desejo que a consumiu por inteiro. Mas sua mente tentava resistir, tentando não se perder completamente naquele vínculo incontrolável.Ela precisava de ar.Caminhou até a floresta, onde o vento frio cortava sua pele, trazendo um pouco de lucidez. O problema era que, por mais que tentasse se afastar do Alfa, algo dentro dela sempre a puxava de volta. A ligação era mais forte do que qualquer lógica.Mas havia uma outra questão.Elias.Desde que o conhecera, sentia algo estranho em sua presença. Era reconfortante, mas, ao mesmo tempo, parecia estar escondendo algo.Foi então que o sentiu.O cheiro dele se misturava ao da floresta, sutil, mas presente.— Você não deveria andar sozinha a essa hora. — A voz de Elias soou próxima, suave, mas com um peso diferente daquela calmar
Aurora respirou fundo, fechando os olhos por um instante. Sua pele ainda formigava onde Elias a tocou, um lembrete repugnante da situação em que se encontrava. Mas ela não era uma presa indefesa. Não seria mais.Quando abriu os olhos novamente, seu olhar estava diferente. Menos desafiador, menos carregado de fúria. Elias percebeu. Ele inclinou a cabeça ligeiramente, avaliando-a como um predador que sentia o cheiro da primeira rachadura na armadura da vítima.— Está começando a entender, não é, meu amor? — Sua voz era macia, quase gentil, mas Aurora sabia que era só mais um truque.Ela abaixou os olhos, fingindo hesitação. Contar com a própria força era impossível, então precisava jogar com a mente dele. Com o ego dele. Elias queria que ela cedesse, que se moldasse ao papel de companheira dócil que ele fantasiava. Ela lhe daria exatamente isso... mas no seu próprio tempo.— Eu… — sua voz saiu baixa, trêmula. Não era difícil fingir fraqueza, não quando a raiva e o nojo por ele queimavam
Aurora manteve sua expressão serena enquanto Elias a observava com um brilho satisfeito nos olhos. Seu sorriso era o de um homem convencido de que havia vencido, de que finalmente a havia dobrado. Mas ela sabia a verdade: era apenas uma questão de tempo até que ele percebesse que estava sendo enganado.No entanto, até que esse momento chegasse, Aurora precisava ser convincente.— Quero tentar, Elias. — Sua voz saiu suave, como se estivesse se rendendo ao destino que ele havia escolhido para ela. — Mas preciso de tempo.Elias ergueu a mão e acariciou seu rosto. Aurora conteve o impulso de se afastar, de cuspir no chão e gritar que jamais se submeteria a ele.Ele acreditou.— Eu sabia que você veria as coisas pelo meu ponto de vista. — Elias murmurou, deslizando os dedos pela linha de seu maxilar.Ela forçou um sorriso e desviou o olhar, fingindo estar tímida.— Você quer que eu cozinhe alguma coisa? — Ela perguntou, tentando parecer dócil.Elias riu.— Já está se comportando como minha
Os dias se arrastaram,não se sabia mais quanto tempo tinha ficado pressa e se Darius realmente a acharia mas Aurora manteve sua atuação impecável. Aos poucos, Elias começou a confiar mais nela. Ele a deixava se mover pelo cômodo com mais liberdade, sem vigiá-la a cada segundo. Era um progresso, mas não o suficiente.Naquela noite, depois do jantar, Elias se levantou e se espreguiçou, observando Aurora com um olhar satisfeito. Estava finalmente achando que tudo estava no seu devido lugar.— Você está se saindo bem, meu amor. Estou feliz que esteja finalmente entendendo seu lugar ao meu lado.Ela manteve a expressão neutra, engolindo a raiva.— Quero tomar um pouco de ar. Só na entrada, ver as estrelas e a lua. Não vou fugir. — Sua voz soou suave, hesitante, exatamente como ele esperava.Elias hesitou por um momento, então sorriu.— Muito bem. Acho que já posso confiar um pouco mais em você. Mas só por alguns minutos.Ele destrancou a porta e a guiou para um pequeno corredor que levava a
Aurora acordou cedo na manhã seguinte, a luz suave do sol penetrando pelas cortinas da janela do seu quarto. Ela se sentia estranha, como se sua mente ainda estivesse presa em um pesadelo que ela não conseguia escapar. As imagens da noite anterior ainda estavam frescas em sua memória. Elias, a luta entre ele e Darius, e, acima de tudo, a tensão que permeava tudo aquilo. A sensação de ser um peão em um jogo que ela não entendia completamente estava consumindo seus pensamentos.Darius estava com ela, como sempre. Mesmo quando ele não estava fisicamente presente, ela sentia a sua presença. Era como se estivesse constantemente vigiando, controlando cada passo que ela dava. Ela não sabia se isso era reconfortante ou sufocante, mas a verdade era que, em algum nível, ela se acostumara com a intensidade do vínculo. Seu coração ainda estava confuso, entre o medo e o desejo, entre a liberdade e a possessividade que ele lhe impunha.Aurora se levantou da cama, vestiu-se e caminhou até a cozinha.
Aurora sentia o peso do tempo sobre seus ombros. A cada dia que passava dentro daquela cabana isolada, sua esperança oscilava entre a certeza de que Darius a encontraria e o medo de que Elias fosse longe demais. Ele estava cada vez mais obcecado, cada vez mais certo de que ela era sua.Nos primeiros dias, Aurora resistira. Recusara suas palavras doces, afastara suas mãos, ignorara os sorrisos encantadores que ele tentava lhe oferecer. Mas isso só piorava a situação.Elias não se irritava com sua resistência; ele via isso como um desafio.— Você só precisa de tempo — ele dizia com paciência, segurando suas mãos contra a mesa para que ela não fugisse. — Precisa entender que Darius nunca te trataria com o amor que eu posso te dar.As palavras dele eram veneno. Um veneno que, para sua própria sobrevivência, Aurora precisava fingir que aceitava.Então, no quinto dia, ela mudou de estratégia.Naquela manhã, ela acordou e, pela primeira vez, não se afastou quando Elias se aproximou.— Como vo
A noite se arrastava lentamente dentro da cabana. Aurora mantinha sua expressão dócil, o corpo relaxado enquanto fingia estar rendida à ilusão de Elias. Mas, por dentro, seu coração martelava como um tambor de guerra.Ela sabia que Darius estava perto. Sentia isso na pele, como um trovão prestes a explodir. A marca sutil de seu cheiro na porta era um chamado silencioso, um aviso para o alfa que a reivindicara.Agora, só restava esperar.Elias, por outro lado, estava completamente absorto na fantasia que criara. Caminhava pela cabana com um brilho satisfeito nos olhos, tocando Aurora com ternura, como se já fosse seu.— Amanhã, vamos sair para uma caminhada — ele disse, segurando sua mão. — Quero te mostrar um lago que fica mais ao norte. Lá, podemos começar a planejar nossa nova vida.Ela forçou um sorriso e assentiu.— Eu adoraria.Ele trouxe sua mão aos lábios e depositou um beijo suave.— Estou tão feliz, meu amor. Você finalmente entendeu que pertencemos um ao outro.Aurora escond