KIRONPuta que pariu! Se tudo que Aisha estava me revelando fosse verdade, minha tia traiu totalmente minha confiança. Precisaria tirar tudo isso a limpo e investigar desde quando isso estava acontecendo, devolvendo a essas pessoas tudo que foi descontado indevidamente deles. Jamais permitirei que minha tia manchasse meu reinado dessa forma.— Aisha, preciso falar com essa administradora. Preciso esclarecer esses fatos. Isso é extremamente grave, pois os valores destinados à creche saem mensalmente no orçamento da mansão.— Kiron, tenho certeza de que a Tereza não aceitará falar sobre isso com você. Sua tia não tem uma boa reputação na vila e ela é temida por muitos.— Que porra minha tia tem feito pelas minhas costas?— Isso eu não sei responder, meu amor. Mas, como sua rainha, quero administrar o que fica a cargo dela. É meu papel cuidar de nosso reino e já me eximi muito disso.— Você tem meu total aval para isso. Amanhã faremos uma reunião e informaremos a sua decisão. Estarei à s
Alguns dias se passaram. Eu e Aisha decidimos investigar alguns pontos antes de comunicar a Petrus, a Maximus e a Maitê o que estava acontecendo. Precisávamos de provas contundentes do que estava acontecendo e descobrimos muito mais do que isso.Eu estava ansioso para reunir nossos amigos e revelar finalmente o que estava acontecendo. A cada segundo que passava, a urgência em meus pensamentos parecia pulsar mais alto. Chamei Maximus e Petros na sala de reunião privada, um lugar isolado, protegido dos rumores que corriam pela mansão. Quando ambos chegaram, senti o peso de seus olhares, sérios e atentos.— Agradeço por virem tão rápido. Há algo extremamente grave acontecendo, e preciso da ajuda de vocês. Acredito que não seja necessário afirmar que tudo que será dito aqui, seja mantido em sigilo total. — Disse, respirando fundo antes de prosseguir.Maximus cruzou os braços, sua postura firme e resoluta. Eu sabia que podia contar com ele. Desde que assumi o trono, ele sempre apoiou cada
AISHAAcordei animada nessa manhã. Trabalhar na creche sempre me dava uma paz única, e hoje eu havia planejado uma atividade especial — ensinar as crianças a preparar a terra para o plantio. Paloma, Maitê e eu assumimos o compromisso de todos os dias passarmos pelo menos três horas de nosso dia lá.Desde aquela noite em que preparei o jantar de Kiron e revelei para ele tudo que havia descoberto, ele resolveu afastar Miranda das funções que ela realizava e que deveriam ser minhas como soberana. Miranda não ficou feliz com isso e ainda alegou que eu levaria o reino à ruína.Meus dias têm sido bastante corrido. Eu e Kiron mal temos tempo para nós dois, o que me fez me mudar completamente para o quarto dele. Desta forma, em algum momento, podemos ter um tempo nosso, nem que seja para dormir juntinhos. Entendia que tudo que descobrimos estava tomando muito o tempo de Kiron, mas sentia a falta de meu companheiro.Hoje, em especial, estava animada e, quando cheguei à creche, parecia que todo
KIRONOs dias se arrastaram em meio a investigações intensas, mas finalmente as provas que eu tanto buscava começavam a surgir. Eu mal podia acreditar no que lia e via nos documentos.As suspeitas que há tanto tempo pairavam no ar se confirmaram, minha tia estava de fato tramando contra mim, financiando uma rebelião com o próprio dinheiro do reino, o dinheiro que deveria proteger e sustentar o nosso povo.Cada novo detalhe que emergia me deixava mais inquieto. Não se tratava somente de minha tia, mas de uma rede de traições muito mais extensa. Entre os envolvidos, encontrei nomes de lycans da alta sociedade que eu nunca imaginaria se virando contra o reino.Eram nobres, conselheiros e aliados que caminhavam ao meu lado, que vinham aos conselhos com expressões de falsa lealdade enquanto me apunhalavam pelas costas.Senti o peso da traição. Por mais que eu estivesse preparado para confirmar isso, a decepção de ver figuras tão próximas envolvidas doía profundamente. Meu lycan estava inco
AISHAEscutamos a gritaria do lado de fora da creche primeiro, e em seguida a correria começou, como uma ventania que varre a paz e deixa o caos em seu lugar. Crianças e professoras corriam tentando se proteger daqueles dois loucos dispostos a ferir qualquer um que aparecesse em sua frente.Eu tentava orientar a todos, pedindo que saíssem pela lateral da creche e fossem direto para o abrigo na vila. Meu coração estava acelerado. Eu não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas um instinto profundo me dizia que algo estava muito errado.As energias ao redor eram de puro pânico, e foi então que percebi… não era apenas um ataque. Eles estavam atrás de mim.— Aisha… você precisa sair agora! — Sussurrou Tereza, enquanto tentava ajudar as crianças a fugir.Pelo canto do olho, vi duas figuras surgindo na entrada da creche. Ambos transformados e provavelmente tentando pegar meu cheiro ali dentro. Eles vieram direto para onde eu estava, seus olhares fixos, determinados. Sabiam exatamente
Com o último lycan restante diante de mim, senti minha lycan assumir completamente o controle, sua raiva fervendo como uma onda implacável. Dessa vez, não tinha motivo para fugir e tudo que restava entre nós era uma luta justa.Os vampiros haviam dominado os lobos de Kathy e Black, mas não interferiram enquanto eu encarava meu oponente. Sabiam que esta batalha era minha. O lycan me olhou com desdém, o olhar carregado de superioridade e desprezo. Seu sorriso debochado me provocava, e pude ver em seus olhos que ele realmente acreditava ter vencido.— Você é uma tola em ficar para me enfrentar. — Ele me provocou. Sua voz era áspera, carregada de uma arrogância enojante.— Já fugi muito em minha vida. Mas agora… agora não mais. — Respondi com firmeza em minha voz animalesca.Ele avançou primeiro, sua expressão arrogante, mas não hesitei. Bloqueei seu ataque com um movimento rápido, desviando para o lado e contra-atacando com força.A troca de golpes foi feroz. Ele rosnou, irritado com a m
Imaginei que Alaric daria a ordem do que fazer com eles, afinal aquele grupo parecia subordinado a ele, mas aquele homem me olhou e deu um passo para trás, permitindo que eu assumisse o comando.Kathy e Black, ainda sob o controle dos vampiros, me encararam com olhares de pura hostilidade, mas agora havia algo mais ali… medo. Sabiam que o jogo havia virado e que agora era eu quem decidia seu destino.Respirei fundo, sentindo minha lycan rugir dentro de mim, furiosa pelas cicatrizes que carregávamos por causa deles. Minha voz saiu firme e fria, e eu a projetei para que todos ali escutassem.— Por anos, vocês me perseguiram. Fizeram de tudo para me destruir e humilhar, sem nunca mostrar piedade ou arrependimento. Tentaram hoje, mais uma vez, tirar minha vida, como já fizeram antes de forma direta e consciente. Mas agora eu sou mais forte.Os dois trocaram olhares tensos, mas mantive meu olhar fixo neles. Antes, eu poderia até acreditar que era uma loba defeituosa, agora não mais. Senti
Alaric deu um passo à frente, sua expressão cheia de desprezo. Sua raça quase foi totalmente extinta por conta desse tipo de pensamento. Sem mencionar que Miranda foi uma das incentivadoras, naquela época, para a guerra entre lycans e vampiros.— E é por isso que você falhou, Miranda. Só quem é capaz de sacrificar a si mesmo pelo bem dos outros merece a coroa.— Vocês são seres medíocres que não deveriam existir, seus sugadores de sangue.Miranda lançou um último olhar de puro ódio, mas já não havia nada que pudesse fazer. A traição dela estava exposta e sua sentença muito nítida.Kiron ficou em silêncio por um momento, seu olhar fixo em Miranda, como se ainda tentasse encontrar vestígios da mulher que um dia fora sua família. Mas tudo o que restava agora era uma traidora. Ele endireitou-se, erguendo a cabeça com uma postura que exalava autoridade e determinação.— Miranda, você conspirou contra seu próprio sangue, contra o reino, contra tudo o que jurou proteger. Usou a confiança da