Ponto de Vista do SamuelEra uma proposta interessante, sem dúvida. Mas mais importante: eu não acreditava naquela história.— Tive a mesma reação. — Foi a resposta de Michael, enquanto seu sorriso enigmático reaparecia brevemente. — Elaine não era fraca, mas também não era uma lutadora talentosa. Levantei as mesmas preocupações, e quando o fiz, ela usou exatamente as mesmas palavras que agora vou tomar emprestado: 'Tenha paciência, já vou chegar lá'.Foi difícil engolir meu protesto. Eu podia até senti-lo borbulhando em minha garganta.Ainda assim, consegui me conter, mas mesmo enquanto o ouvia continuar, sentia meus lábios se contraírem de impaciência.Pelo menos a próxima parte de sua narrativa foi breve. Michael passou rapidamente pelo que cuidar de Miguel acabou ocasionando, já que evidentemente não estava com disposição para reviver aquilo.Depois disso, eles se separaram, mas continuaram se encontrando ao longo dos anos. Um desses encontros foi o que a fez deixar a Alcateia da L
Lentamente, soltei um suspiro que nem percebi que estava prendendo enquanto Michael se levantava de sua cadeira, inclinando-se sobre sua mesa enquanto seu olhar se fixava firmemente em mim.Cada traço de seu rosto parecia destacado contra o brilho fraco da lareira quando ele falou com voz rouca.— Ela me disse que não importava o quão forte eu me tornasse, não importava quanto poder eu acumulasse, eu NUNCA seria capaz de proteger ela e a filha dela das Sombras Carmesim.Um arrepio percorreu minha pele como um toque fantasmagórico ao ouvir suas palavras, e uma pequena parte de mim se sobressaltou com a súbita intensidade no olhar do homem mais velho enquanto ele me observava.Michael estava repentinamente muito presente de uma forma que não estivera desde que começou a falar há quase meia hora.Por razões que eu não conseguia compreender completamente, achei que este foi um dos desenvolvimentos mais perturbadores da noite até agora.— Porque ela diria isso? — Perguntei em um meio sussur
Apertei os olhos, me sentindo mais confuso do que jamais estivera em toda minha vida.O que você está dizendo? Eu queria perguntar a ele. A Mente ou o Corpo?Dentro de mim, Felipe se agitou com descontentamento.— ESTAMOS PERDENDO TEMPO. — Meu lobo rosnou.Michael, alheio a tudo isso, continuou tranquilamente.— Foi difícil de assimilar. — Ele disse. — Mais difícil ainda quando Elaine disse que cresceu conhecendo lobos que podiam curar a si mesmos e aos outros com um único toque; cresceu conhecendo lobos que podiam matar sem precisar encostar um único dedo em você.— Como? — Consegui dizer, depois de alguns momentos.— O Corpo. — Ele disse com um dar de ombros despreocupado, como se estivesse lendo um anúncio de jornal para mim. — Por sorte, ela me contou que a maioria deles só consegue curar, e mesmo assim há um limite. Apenas um entre eles desenvolveu sua afinidade para provocar a morte.Ele me lançou um olhar significativo, e mesmo antes de falar eu já sabia quem era.Malcolm.Nenhu
Ponto de Vista do SamuelA declaração de Michael — dita naquele tom pragmático e direto característico dele — atingiu o cerne da questão, me fazendo parar abruptamente.Estremeci sem querer.Foi mais uma reação instintiva do que choque, mas enquanto nos observávamos no silêncio crescente de seu escritório, a percepção de que ele estava certo começou lentamente a se estabelecer.Em algum momento durante a narração, eu havia esquecido que as pessoas envolvidas eram pessoas reais.Mas não era só isso.A mulher, Elaine, era a mãe da minha companheira. Malcolm era o avô de Maria.Então, estas não eram apenas pessoas REAIS, mas pessoas que tinham participação na vida de Maria...O pensamento se interrompeu quando congelei, levantando o queixo para encontrar os olhos do Alpha da Alcateia da Lua Azul enquanto uma sensação angustiante se espalhava pelo meu estômago.— Porque Elaine fugiu? — Perguntei em voz alta, e com isso o rosto anteriormente calmo de Michael foi perturbado por um enrijecime
— Porque as Sombras Carmesim, por razões que só posso especular, decidiram apagar sistematicamente qualquer conhecimento sobre sua existência da face da terra.Senti um arrepio percorrer meu corpo com essa resposta e me ajeitei na cadeira, franzindo a testa enquanto ele continuava, me contando tudo que aconteceu depois que Elaine lhe disse isso.Eu deveria estar prestando atenção, mas perdido em meus pensamentos como estava, só conseguia ouvir sem muito interesse.Até agora, esta noite tinha sido uma revelação chocante após a outra, mas agora, era como se para cada nova resposta que eu obtivesse, surgissem outras dez perguntas.Nada fazia sentido, e quanto mais eu me aprofundava nesse labirinto, mais perdido eu ficava.Decidi que era hora de dar um fim nisso.— Não vejo como isso se aplica à situação atual. — Disse depois de um tempo. — Maria não tem poderes.Michael soltou uma risada de desdém.— Acho que nós dois sabemos que isso não é verdade.Abri a boca para protestar, mas então a
Ponto de Vista do SamuelMal as palavras tinham sido pronunciadas quando comecei a me levantar da cadeira, uma onda quente de pânico me invadindo enquanto eu me virava em direção à porta.— Para onde você vai? — Michael gritou atrás de mim.Eu podia ouvir o som da cadeira dele raspando no piso de madeira enquanto ele se levantava e começava a se mover. Não respondi.Talvez ele estivesse tentando impedir minha saída, pensei ironicamente. Se esse fosse o caso, queria ver ele tentar.— Samuel! — O homem mais velho chamou novamente, mais urgente e quase irritado desta vez.Eu já estava quase na porta neste momento, e quando senti suas mãos agarrarem meu bíceps, congelei.Não foi fácil navegar pelo labirinto dos meus pensamentos e agitação para me conter e não atacá-lo.De alguma forma, consegui me controlar, e mais tarde isso me pareceria um milagre, já que eu sempre agia por instinto, especialmente quando se tratava de toques não solicitados.Agora, porém, mal conseguia pensar além da bom
— Tudo bem, respostas... posso te dar isso. — Ele cedeu. — A mulher que levou Maria se chama Madeline. Madeline Lowell.Senti meu pulso palpitar na garganta ao ouvir o nome. Mesmo não me sendo familiar, não impediu que meu estômago se revirasse enquanto um ódio ardente corria por minhas veias. Era uma emoção superada apenas pelo meu desejo de ter Maria de volta ao meu lado.Piscando, me forcei a permanecer no momento presente. Depois de alguns segundos de silêncio, perguntei a Michael se ela era uma caçadora.O Alpha da Alcateia da Lua Azul zombou da sugestão, como se fosse a coisa mais ridícula que já tinha ouvido na vida.Então ele respondeu.— Pelo contrário, Madeline é uma lobisomem. Ela era até mesmo uma Ômega nesta Alcateia. Antes de se tornar selvagem.Pisquei, pego de surpresa por isso.Não achei que seria possível me sentir surpreso depois de tudo que ouvi na última meia hora, mas estava.Para seu crédito, Michael não continuou imediatamente com outra informação. Em vez disso,
Nosso confronto tinha acontecido há quase duas semanas, e eu o tinha deixado em péssimo estado.No entanto, ali estava ele na minha frente, com apenas alguns hematomas no rosto e um leve mancar em seus movimentos como evidência de que quase morreu em minhas mãos.Em no máximo uma semana, ele estaria como novo novamente, o que me lembrou mais uma vez que a única vantagem que eu tinha sobre ele eram meus anos de experiência.Franzi a testa levemente, e ele espelhou minha expressão, embora com certa cautela.— Há algum problema aqui? — Ele perguntou enquanto a tensão na sala aumentava um pouco.Suas palavras foram dirigidas ao pai, mas ele não tirou os olhos de mim nem por um momento, e só quando Michael respondeu — informando que Maria estava em perigo — ele finalmente conseguiu desviar o olhar.Havia uma pensatividade nele enquanto seu pai relatava o que sabia da situação até agora que me deixou inquieto, mas onde antes seria ciúme, agora eu sabia que era simplesmente porque eu não gost