O ar dentro da caverna ficou ainda mais pesado quando o líder dos caçadores deu um passo à frente, seus olhos frios analisando Beatriz com um interesse cruel. Ele segurava uma faca longa e fina em uma das mãos, girando-a lentamente entre os dedos, como se estivesse saboreando o momento.— Vocês nos deram um belo trabalho, devo admitir. — Ele disse, a voz carregada de ironia. — Mas toda fuga chega ao fim.Beatriz respirou fundo, mantendo a arma apontada para ele, embora soubesse que suas mãos tremiam levemente. Seu coração martelava no peito, mas ela se recusava a demonstrar medo.— Diga o que quer e saia daqui. — Ela rosnou, mantendo-se entre Davi e o invasor.O homem soltou uma risada baixa, quase divertida.— O que eu quero? — Ele inclinou a cabeça, fingindo considerar a pergunta. — Quero terminar o que comecei. Quero ver você implorar. Quero que ele — ele apontou a faca para Davi — morra nos seus braços, sabendo que falhou.O sangue de Beatriz gelou, mas sua expressão permaneceu fi
A correnteza os arrastou com violência, engolindo-os na escuridão gélida do rio. Beatriz sentiu a água gelada cortar sua pele, os redemoinhos puxando-a para baixo enquanto tentava desesperadamente manter Davi à tona. Seus braços doíam, os pulmões imploravam por ar, mas ela não soltaria ele. Nunca.Fernando surgiu à sua esquerda, lutando contra a força da água. Helena, mais à frente, segurava-se em uma pedra, tentando encontrar um ponto seguro onde pudessem sair. O som dos disparos ainda ecoava pela floresta, mas se dissipava a cada metro que eram levados pela corrente.Beatriz emergiu com dificuldade, puxando Davi consigo. Seus olhos se arregalaram ao ver o que havia adiante.— Uma queda! — Fernando gritou, lutando para nadar na direção oposta.O rio desaguava em um penhasco, e a água caía com um rugido ensurdecedor. O desespero tomou conta de Beatriz. Eles não conseguiriam parar a tempo. O coração dela bateu freneticamente ao olhar para Davi, cujos olhos semicerrados denunciavam que
O silêncio da caverna foi quebrado pelo som de passos firmes, seguidos pelo farfalhar da vegetação sendo esmagada. O inimigo estava perto. Muito perto.Beatriz apertou a arma em suas mãos, sentindo o suor frio escorrer por sua nuca. Helena se posicionou atrás de uma rocha, a espingarda pronta. Fernando segurava sua lâmina com força, os olhos afiados e atentos. Samuel, mesmo ferido, respirou fundo e mirou para a entrada. A tensão era quase palpável.Então, o primeiro tiro foi disparado.Uma explosão ecoou dentro da caverna quando a bala acertou a parede de pedra, ricocheteando e jogando faíscas pelo ar. Beatriz conteve um grito e se abaixou instintivamente. Lá fora, vozes ecoaram, gritos abafados se misturando ao som da floresta.— Eles sabem que estamos aqui. — Samuel murmurou, os dentes cerrados. — Sem volta agora.Helena não hesitou. Ela se ergueu levemente e disparou dois tiros certeiros. Um grito foi ouvido do lado de fora, seguido por um baque surdo. Um dos inimigos havia caído.
O grupo emergiu do túnel para um bosque denso e úmido, onde o ar era frio e pesado. O silêncio ali parecia quase artificial, como se algo ou alguém os observasse. Beatriz ofegava, ainda segurando Davi, que se mantinha inconsciente, mas respirava com dificuldade.— Precisamos encontrar um lugar seguro antes que eles nos alcancem. — Helena murmurou, varrendo a área com os olhos atentos.Fernando passou a mão pelo rosto sujo de poeira e suor, ainda atordoado com os últimos acontecimentos.— Se aquele monstro era apenas um deles, então temos um problema maior do que imaginávamos. — Ele disse, seu tom carregado de preocupação.Samuel, mesmo ferido, fez um esforço para ajudar Beatriz a carregar Davi. O peso do amigo estava se tornando um fardo cada vez mais difícil de suportar.— Ali! — Helena apontou para um antigo casebre de madeira parcialmente coberto pela vegetação. Parecia abandonado há anos, mas ainda estava de pé.Sem outra opção, eles correram para dentro. O chão rangia sob seus pé
O ranger da porta ecoou pelo casebre como um prenúncio do inevitável. Beatriz sentiu o coração martelar no peito, os dedos suados apertando a faca. O primeiro invasor entrou cauteloso, seus olhos analisando cada canto da cabana, a arma pronta para disparar ao menor sinal de resistência.Atrás dele, mais três homens seguiram, avançando com precisão. O líder, um homem de olhar cruel e cicatrizes marcando o rosto, ergueu a mão, sinalizando para os outros se separarem.— Estão aqui. — Ele murmurou, a voz carregada de certeza. — Matem todos, exceto Davi. Quero ele vivo.Beatriz sentiu o sangue gelar. Eles ainda queriam Davi, e isso só significava uma coisa: ele era a chave para algo maior.A tensão era sufocante. Helena manteve-se agachada atrás da mesa virada, os dedos firmes no gatilho da espingarda. Samuel segurava o revólver com a respiração controlada. Fernando, com a faca escondida na manga, aguardava o momento certo para atacar.Um dos invasores deu mais um passo. Foi a deixa que pr
O som das folhas sendo esmagadas sob os pés apressados dos perseguidores ecoava na noite. Beatriz sentia a pulsação em seus ouvidos, e sua respiração acelerada se misturava ao ar frio da floresta. Helena liderava a corrida, Samuel vinha logo atrás, enquanto Fernando e Beatriz ajudavam Davi a continuar.— Não temos tempo! — Fernando gritou. — Eles vão nos alcançar!O rio surgiu à frente, serpenteando como um abismo prateado sob a luz pálida da lua. As águas eram agitadas, a correnteza forte e traiçoeira. Beatriz hesitou apenas por um segundo. Era um risco. Mas ficar e lutar era uma sentença de morte.Helena foi a primeira a pular, desaparecendo nas águas escuras. Samuel seguiu logo depois, grunhindo de dor ao sentir o impacto da correnteza contra seu corpo ferido. Fernando olhou para Beatriz e Davi.— Precisamos ir! — Ele insistiu.Beatriz puxou Davi para si, seus olhos encontrando os dele. Por um instante, tudo ao redor pareceu se dissolver. Apenas os dois existiam naquele momento. O
A floresta ao redor parecia se fechar sobre eles, sombras se alongando a cada passo enquanto avançavam pela trilha estreita. O som da batalha ainda ecoava ao longe, mas Beatriz sabia que não podiam parar. O sangue quente em suas mãos, misturado à dor latejante do ferimento no ombro, era um lembrete cruel do que estavam enfrentando.Davi tropeçou, seu corpo cedendo por um segundo. Beatriz o segurou, seus braços tremendo pelo esforço de mantê-lo de pé.— Estamos quase lá. — Ela sussurrou, tentando convencê-lo, e a si mesma, de que havia um fim para aquela fuga.O silêncio foi rompido por um estrondo ensurdecedor.Uma explosão iluminou o céu atrás deles, um clarão laranja devorando parte da floresta. Helena, Samuel e Fernando ainda estavam lutando. Mas por quanto tempo mais conseguiriam resistir?Beatriz apertou os olhos, tentando ignorar o desespero que ameaçava sufocá-la.— Temos que voltar! — Davi disse entre dentes, tentando se afastar dela.Beatriz segurou seu rosto, os olhos ardend
A tensão ao redor da fogueira era palpável. O nome Gabriel Vasquez pairava no ar como um fantasma. Todos ali sabiam que enfrentá-lo seria diferente de qualquer outra batalha que haviam travado.Helena foi a primeira a quebrar o silêncio.— Se vamos atrás dele, precisamos ser estratégicos. Não podemos simplesmente aparecer na porta dele e esperar vencer.Davi assentiu, os olhos sombrios. Ele estava cansado, mas sua determinação era inabalável.— Gabriel tem segurança privada de elite e uma rede de contatos que pode fazer qualquer um desaparecer sem deixar vestígios. Precisamos de informações. Saber onde ele está, quem são seus aliados mais próximos e qual é sua fraqueza.Beatriz olhou para o mapa improvisado que Samuel havia desenhado na terra com um galho. Haviam poucos detalhes, mas era o começo de algo.— Conhecemos alguém que pode nos ajudar. — Disse Fernando, cruzando os braços. — Um antigo contato meu. Ele já trabalhou para Vasquez e conhece bem o sistema interno da organização.—