Música do capítulo: Flowers - Brooklyn DuoNuriaO quarto estava escuro e silencioso.Um silêncio pesado, frio, sufocante.Me virei na cama, puxando o cobertor para mais perto do corpo, mas ele não trouxe conforto. Nada trazia.A música que toquei mais cedo ainda vibrava dentro de mim, ecoando como um fantasma pelo meu peito. Eu me agarrei a ela, tentando encontrar algum resquício de paz.Mas ela não veio.Fechei os olhos e respirei fundo, forçando meu corpo a relaxar. Eu só precisava descansar. Só algumas horas.Amanhã, eu daria um jeito de lidar com tudo.Com Johan.Com o Alfa.Com esse maldito jogo que Stefanos estava jogando comigo. Com a maldita implicância de Johan.Amanhã.Mas o sono, quando veio, trouxe algo pior do que o cansaço.Trouxe o passado.O cheiro de sangue veio primeiro.Ferroso. Denso.Meus pés afundavam na lama tingida de vermelho enquanto eu corria.A noite estava fria, mas eu sentia calor. Um calor sufocante, como se o próprio inferno tivesse se aberto sob meus
NuriaO cheiro de pão quente e café forte preencheu a cozinha quando entrei, ainda sentindo o peso do sono em meus ombros.Jenna estava sentada sobre a mesa, balançando as pernas enquanto mordiscava uma fatia de bolo. Seu olhar encontrou o meu assim que fechei a porta atrás de mim."Bom dia, parece que não dormiu nada essa noite," ela falou, um sorriso brincando em seus lábios.Bufei, puxando uma cadeira e me jogando nela."O pouco que dormi, não compensou."Ela riu, empurrando uma xícara de café na minha direção."A governanta quer você no salão depois do café. As janelas precisam ser limpas."Aceitei a xícara com um aceno de cabeça e tomei um gole. O calor do líquido amargo ajudou a espantar o torpor da manhã."Ótimo. Nada como começar o dia deixando o salão brilhando."Jenna ergueu as sobrancelhas, divertindo-se com meu sarcasmo."Ei, melhor do que ficar na cozinha ouvindo os criados fofocarem sobre quem dormiu com quem."Revirei os olhos. Jenna adorava um bom drama, mas eu só quer
Música do capítulo: Young and Beautiful (Violin) - Dramatic ViolinStefanosO motor do carro rugiu uma última vez antes de silenciar diante da mansão. Os pneus trituraram a terra úmida, o som ecoando no ar frio da manhã.A porta se abriu com um estalo seco, e eu desci sem hesitar.Os lobos estavam ali. Guerreiros treinados, leais, prontos para enfrentar qualquer ameaça. Mas ao me verem, seus corpos enrijeceram.Eles sentiram.O cheiro de sangue, suor e fúria ainda impregnado em minha pele.A raiva pulsante em cada fibra do meu corpo.Eu os observei brevemente, e nenhum deles ousou me encarar. Como deveria ser.Eu estava ferido. Machucado.E, ainda assim, continuava sendo o predador mais letal ali.Sem olhar para ninguém, segui em direção à casa.Cada passo meu era um aviso: fiquem fora do meu caminho.O cheiro da madeira e do fogo da lareira se misturava ao aroma metálico do sangue seco em minhas roupas. Meus músculos estavam rígidos, exaustos, mas a dor era o menor dos meus problemas
NuriaA melodia flutuava pelo quarto, mas minha mente estava em outro lugar.Stefanos estava na banheira, sua presença preenchendo o espaço como um trovão prestes a cair.Meus dedos deslizavam sobre as cordas do violino, produzindo notas suaves, quase hesitantes. A música deveria acalmá-lo, mas eu duvidava que algo fosse capaz disso.A água quente subia ao redor de seu corpo, mas não levava sua tensão. Seus ombros continuavam rígidos, seu maxilar trincado.Mas não era só irritação.Era dor.Ele estava tentando esconder, se recusando a mostrar qualquer sinal de fraqueza, mas eu via.Os músculos tensos.A respiração curta.Os punhos fechados sob a água.Os cortes nas costas, ainda abertos.Eu deveria apenas tocar e sair. Deveria manter distância. Deveria ignorar.Mas algo dentro de mim se recusava a fazer isso.Minha loba se remexeu inquieta, captando o cheiro metálico que persistia no ar.Havia algo errado.Olhei de relance para ele, tentando não encarar por muito tempo.Mas foi o sufi
NuriaA cozinha estava quase vazia àquela hora, exceto por Jenna, que mexia distraidamente em algumas ervas secas sobre a bancada. O cheiro de chá recém-preparado se misturava ao aroma amadeirado dos ingredientes espalhados na mesa.Assim que entrei, ela ergueu os olhos e me analisou por um momento antes de sorrir."Ele já se acalmou?" ela questionou."Na verdade, não. Os ferimentos não estão cicatrizando.""Pela sua cara, imagino que já tenha um plano." falou, sua voz carregada de curiosidade.Soltei um suspiro, indo em direção ao ármario e pegando tudo que eu precisava e colocando os ingredientes à minha frente."Vou fazer uma pomada para o Alfa."Jenna franziu a testa."Ele aceitou ajuda?""Aceitou, mas rosnando e me ameaçando. Então, não sei se isso conta."Ela riu. "Bom, para ele, isso já é um grande avanço."Puxei uma tigela de pedra e comecei a macerar as ervas. Os aromas se intensificaram quando esmaguei as folhas contra o fundo do recipiente, misturando-as com precisão. Meu
StefanosA quietude do quarto contrastava brutalmente com o caos que ainda queimava em minha mente.Eu não estava acostumado a esse tipo de silêncio.Meus olhos se abriram devagar, e o teto de madeira escura me recebeu como um lembrete de que eu estava de volta. Mas algo parecia… errado.A última coisa que lembrava era a dor correndo por cada fibra do meu corpo. O veneno queimando em minhas veias, tornando cada respiração um esforço.Mas agora...Nada.Pisquei algumas vezes, ajustando minha visão à penumbra. O fogo na lareira já havia se transformado em brasas, lançando sombras vacilantes pelo quarto. O ar estava morno, carregado com o cheiro da madeira queimando lentamente.E então, um outro cheiro me atingiu.Sutil, mas inconfundível.Nuria.Meus sentidos aguçaram no mesmo instante.Minha mente se lembrou do toque dela, dos dedos pressionando meus ferimentos enquanto eu lutava contra o sono. Mas eu dormi?Meu lobo rosnou, irritado com a própria vulnerabilidade. Me mexi bruscamente,
StefanosO olhar da loba a minha frente era tão malicioso, que descaradamente ela os desceu por meu corpo. Eu não era um lobo que tinha vergonha da minha nudez, porém diferente dos outros, eu nunca traria um uma."Já acabou?"Diana se assustou com minha pergunta e se endireito, fingindo uma falsa timidez que não possuia. Ela deslizou pelo quarto como se pertencesse ali, como se sua presença fosse natural. Vestia um robe fino, quase transparente, que abraçava suas curvas com um propósito óbvio. O cheiro de perfume forte preencheu o ar, tentando mascarar seu nervosismo.Ela parou a mainha frente, com a cabeça baixa, e um sorriso delicado nos lábios.“Você tem se esforçado demais, Alfa.” Sua voz era melosa, cuidadosamente ensaiada. “Vim me dedicar aos seus cuidados da forma que precisar.” Ela levantou os olhos de forma inocente, e revirei os meus, me afastando dela.Levei alguns segundos para responder.Não porque estava surpreso.Mas porque me perguntava de onde ela tirava a audácia.
NuriaO Alfa me seguia.Seus passos eram pesados, precisos, cada um deles carregado com a mesma brutalidade de sua presença. O ar ao meu redor parecia carregado, como se fosse denso demais para respirar.Eu não precisava olhar para trás para saber que ele estava ali.Stefanos dominava cada centímetro da casa, e, agora, ele me cercava como se eu fosse algo a ser estudado. Um lobo rondando sua presa.Minha loba se encolheu.Eu não tinha forças para desafiá-lo. Não hoje.Então, mantive o olhar baixo e segui para a cozinha, ouvindo seu rosnado baixo vibrar atrás de mim.Ele não estava para brincadeiras.E eu sabia que, se quisesse continuar viva, não poderia testá-lo.Assim que entrei na cozinha, os poucos empregados que ainda estavam ali congelaram. Não era comum que Stefanos aparecesse nesse espaço da casa."Sumam daqui." ele mal terminou e todos correram para fora.Ele se aproximou da mesa onde os empregados faziam suas refeições e puxou uma cadeira, sentando-se sem pressa.Então, me o